O ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista, passou a ser investigado pela Justiça da Espanha no caso do resgate público da companhia aérea Plus Ultra, ligada a empresários venezuelanos, durante a pandemia de Covid-19. É a primeira vez que um ex-chefe de governo espanhol se torna formalmente alvo de investigação criminal.
A Audiência Nacional, tribunal sediado em Madri especializado em casos financeiros complexos, informou nesta terça-feira que convocou Zapatero para depor no próximo dia 2 de junho sobre “o resgate da companhia aérea Plus Ultra”.
A empresa recebeu, em março de 2020, um empréstimo público de 53 milhões de euros — cerca de US$ 62 milhões — concedido pelo governo espanhol durante a pandemia.
Zapatero, que governou a Espanha entre 2004 e 2011, é investigado por suspeitas de organização criminosa, tráfico de influência e falsidade documental.
Em 2021, a Plus Ultra operava apenas quatro aeronaves Airbus A-340 em rotas para Equador, Peru e Venezuela.
Mesmo assim, foi beneficiada com recursos do fundo emergencial de 10 bilhões de euros criado pelo governo do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez para socorrer empresas consideradas estratégicas durante a crise sanitária.
Investigação mira supostas comissões e elo com aliado de Zapatero
Segundo o jornal El País, que cita fontes próximas à investigação, as apurações se concentram em uma empresa de consultoria ligada a um aliado político de Zapatero.
De acordo com o periódico, a empresa teria atuado como intermediária financeira no pagamento de supostas comissões ocultas relacionadas ao resgate da companhia aérea.
Os escritórios do ex-primeiro-ministro e empresas pertencentes às filhas dele foram alvo de buscas.
O caso gerou forte controvérsia política na Espanha desde a concessão do auxílio à Plus Ultra.
Partidos conservadores da oposição criticaram os vínculos da companhia com empresários venezuelanos próximos ao governo de Nicolás Maduro.
O episódio ganhou ainda mais repercussão após vir à tona que o então ministro dos Transportes da Espanha, José Luis Ábalos, reuniu-se em Madri, em janeiro de 2020, com Delcy Rodríguez, figura central do governo venezuelano e proibida de entrar na União Europeia.
Ábalos está atualmente preso e responde a outra investigação por corrupção.
A Plus Ultra tem sede em Madri, mas seus principais acionistas são empresários venezuelanos que, segundo setores da direita espanhola, mantêm proximidade com o chavismo.

