Em missão exploratória para ocupação futura do nosso planeta, o marciano que chefiava equipe precursora sobrevoou a Criméia e avistou drones, foguetes e mísseis cruzando os céus da Rússia e da Ucrânia. Percebendo que aquele não era um lugar seguro para instalar um posto avançado da sua civilização, dirigiu a sua nave para o Oriente Médio, mas logo se deu conta que ali era muito pior, pois, ao aproximar-se do Libano, seu disco voador quase foi atingido por milhares de drones, foguetes e misseis de Israel, dos USA e do Irã.
Informou tudo à sua chefia marciana que, após demorada reunião do CAM – Conselho de Anciões de Marte, determinou que ele fosse para a América do Sul, e lá procurasse algum lugar no país chamado Brasil. Segundo as informações que tinham, após pesquisas no livro “Raízes do Brasil”, aquele sítio era habitado por homens cordiais, intrinsecamente bons, generosos e pacíficos. As instruções indicavam um local chamado Rio de Janeiro como o alvo mais que perfeito para o atingimento do propósito da missão. Ali, um lugar bonito por natureza, ele seria bem recebido por um povo sestroso, alegre, bem-humorado e receptivo, principalmente se ele fingisse gostar de samba, chope e futebol.
Instrução dada, instrução cumprida. Voou para o tal Rio de Janeiro. Lá chegando, o ET mal pousou sua aeronave perto da Vila Kennedy quando foi abordado por dois sujeitos mal-encarados que, com fuzis em punho, exigiram pagamento mensal pelo estacionamento da sua nave. Uma boa alma viu aquilo e alertou o nosso herói ser ali território do CV que cobrava pedágio muito alto. Recomendou que fossem pra algum lugar dominado pelo Terceiro Comando Puro ou por milicianos, que cobravam mais barato ou, melhor ainda, fosse para Brasília onde tudo era permitido e de maneira mais discreta.
Atendendo aos conselhos da boa alma ele aterrou na capital do Brasil e, para elaborar o seu planejamento de adaptação ao novo ambiente, comprou um jornal visando a se inteirar dos fatos, versões e narrativas do que estava ocorrendo no Brasil. Sentado sob árvores do Parque Água Mineral, tentando adaptar-se ao ar seco do planalto, ele abriu o jornal e começou a ler:
“Deputados que trabalham em regime 3×4, não querem aprovar regime 5×2 para os trabalhadores”
“Daniel Vorcaro subornou autoridades de todos os poderes da República”
“Comprovantes indicam rachadinha no gabinete do deputado Mario Frias”
“PF indicia suplente de Alcolumbre por suspeita de corrupção no Dnit-AP, e associação criminosa”
“PGR denuncia nove envolvidos em venda de sentenças no STJ”
“Juízes não aceitam o fim dos penduricalhos”
“Lei da Ficha Limpa: Carmem vota no STF contra alterações que gerariam impunidade”
“Caso Master: pré-candidato nega e depois confirma, volta a negar e volta atrás, confirmando que esteve com Vorcaro”
“Deputados proíbem uso de satélites na fiscalização de desmatamento: a boiada vai passar!”
“Banco Master: Brasília e Assembleia do Rio de Janeiro apavorados com os celulares de Daniel Vorcaro”
“Governos incompetentes reconhecem que não conseguem impedir uso de celulares nas prisões”
“O número de feminicídios cresce assustadoramente em todo o país”
“Governador Castro jantou bife de 10 mil reais pagos por Daniel Vorcaro, a quem dizia desconhecer”
“Congresso aprova lei que limita multa aos partidos políticos em 30 mil reais, que podem ser pagos em até 15 anos (R$ 167,00 por mês)”
Naquele momento, o ET, já chocado com o que lia, virou a página do jornal e encontrou uma notícia que o fez cancelar a missão. Foi a gota d’água. Aquilo era o que faltava pra ele concluir que aquele país era irrecuperável, não tinha mais jeito, ultrapassara o Rubicão da seriedade. Abortar a missão foi o que lhe restou. Jogou o jornal no chão, entrou no disco voador e acelerou de volta ao seu planeta sem olhar para trás.
Contrastando com o verde do gramado, o jornal abandonado expunha a manchete:
“Neymar foi convocado para seleção brasileira que vai disputar o Mundial deste ano”.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/foi-assim-que-o-et-desistiu-do-brasil/

