O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não pretende revelar como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista de 75 minutos ao jornal americano The New York Times, concedida nesta quarta-feira (4), o parlamentar disse que organizou a viagem sozinho e negou ter recebido ajuda de autoridades ou governos estrangeiros.
Questionado sobre o trajeto de aproximadamente 8 mil quilômetros, que teria incluído passagens pelo Equador e pela Argentina antes da chegada a Miami, Flávio afirmou: “Como cheguei até aqui, isso vou levar comigo para o túmulo”.
Segundo o senador, a decisão de deixar o país foi tomada espontaneamente na manhã seguinte à derrota eleitoral. Ele contou que conversou com o pai, Jair Bolsonaro (PL), antes de partir. De acordo com seu relato, o ex-presidente estava emocionado e teria demonstrado preocupação com os possíveis desdobramentos da situação.
Flávio também afirmou que deixou o Brasil porque considerava praticamente certa uma condenação judicial caso permanecesse no país. “Já sei que o resultado final será minha prisão”, declarou.
Durante a entrevista, Flávio voltou a levantar suspeitas sobre o resultado da eleição presidencial, mas não apresentou provas de irregularidades. Lula foi reeleito no segundo turno, em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador.
O parlamentar afirmou que pretende contestar judicialmente a vitória do petista, embora reconheça as poucas chances de sucesso.
Flávio também enfrenta investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, mas, conforme as informações apresentadas na entrevista, não foi formalmente acusado de nenhum crime.
Flávio, a mulher e as duas filhas receberam autorização para permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, por meio de um status migratório concedido por razões humanitárias.
De Miami, o senador pretende continuar participando da política brasileira, apoiar aliados e defender pautas como a redução da maioridade penal e a anistia para o pai e os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Apesar de afirmar que espera que a permanência nos Estados Unidos seja temporária, Flávio não descartou disputar novamente a Presidência da República. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.
