‘Ele colocou a arma na minha cabeça e disse que ia me matar’, diz dono da rede de restaurantes, vítima de tentativa de assalto na Lagoa

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O empresário Renato Duarte Soares Junior, conhecido como Junior Bauru, dono de uma famosa rede de restaurantes do Rio, sofreu uma tentativa de assalto enquanto dirigia um Porsche. Ele foi a 15ª DP, na Gávea prestar depoimento — Foto: Jessica Marques/ Agência O globo


O empresário Júnior Bauru, de 34 anos, dono da rede de restaurantes Bauru, sofreu uma tentativa de assalto à mão armada na tarde desta quinta-feira, na Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa, na Zona Sul do Rio. Ele dirigia um Porsche e seguia para Copacabana, onde pretendia visitar um imóvel para a abertura de uma nova unidade da rede, quando foi abordado por um homem que estava em uma motocicleta roubada. O criminoso bateu no vidro do veículo, apontou uma arma e exigiu que entregasse o relógio e o telefone.

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Um policial militar de folga, amigo do empresário, que estava em outro carro e seguia para almoçar com ele, presenciou a abordagem e efetuou disparos contra o assaltante. Dois tiros atingiram o suspeito, identificado como Lucas Gustavo de Jesus, de 31 anos, natural de São Paulo. Ele foi socorrido e encaminhado a um hospital. Segundo informações da polícia, o homem teria ligação com a chamada gangue do Rolex, grupo especializado em roubos de relógios de luxo que atua na capital paulista.

O empresário estava em uma Porsche avaliada em mais de um milhão e com um rolex de 190 mil reais.

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Em entrevista ao GLOBO, Júnior contou que percebeu o risco de ser baleado quando o criminoso passou a bater com o dedo no gatilho da arma enquanto exigia seus pertences. Segundo ele, o assaltante chegou a encostar o armamento em sua cabeça e ameaçou matá-lo.

— Do nada, eu vejo uma porrada no vidro. Era um motoboy sozinho, com roupa aparentemente de motoboy, mandando eu entregar o relógio e o telefone, e batendo com o dedo no gatilho. Eu me desesperei. Pensei que, a qualquer momento, se ele batesse de novo, poderia acionar o gatilho e me dar um tiro na cabeça. Quando eu estava tentando entregar, ele ficou nervoso também, porque estava quase caindo da moto. Ele colocou a arma na minha cabeça e disse: “Vou te matar, vou te matar”. Eu falei: “Calma, estou te dando” — relatou.

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O empresário estava acompanhado de um amigo pastor no Porsche. O policial militar, que estava de folga, vinha logo atrás, em outro veículo. De acordo com Júnior, o amigo percebeu a abordagem e, quando o assaltante apontou a arma novamente, ele reagiu com os disparos. O episódio ocorreu por volta de 12h20, em meio ao trânsito movimentado da região.

O PM Braulio Augusto de Figueiredo Junior, de 35 anos — Foto: Reprodução
O PM Braulio Augusto de Figueiredo Junior, de 35 anos — Foto: Reprodução

O relógio que o criminoso tentava levar, segundo o empresário, custou R$ 190 mil. A polícia confirmou que o suspeito teria ligação com a quadrilha especializada nesse tipo de roubo. A motocicleta utilizada na ação também seria roubada. Segundo o relato do empresário, o veículo havia sido levado quatro dias antes.

Após o episódio, Júnior criticou a sensação de insegurança no Rio e defendeu mudanças na legislação penal, com penas mais rigorosas para crimes como roubo. Ele também afirmou que considera rever a própria rotina e contratar uma equipe de segurança.

— Eu entendo que o Rio de Janeiro está tomado pela incerteza de segurança. A gente perdeu o livre-arbítrio de ir e vir. Ando por todo o Rio, tenho unidades do Bauru pela cidade, e entendo que a situação está caótica. Mas a gente nunca acha que vai acontecer com a gente. Acaba achando até normal um assalto, mas não é. Aquele cara poderia ter acabado com a minha vida ali — disse.

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O empresário ressaltou que a rede emprega mais de 1,5 mil funcionários e afirmou ter pensado nas consequências que sua morte poderia provocar para as famílias dos colaboradores.

— Poderia deixar três filhos órfãos e mais de 1.500 famílias desamparadas. Eram tudo ou nada para ele ali. Graças a Deus, nenhum disparo me atingiu — afirmou.

Júnior também contou que já havia sido vítima de outros dois roubos no Rio. Um deles ocorreu há cerca de sete anos, quando teve pertences levados durante uma abordagem. Mais recentemente, em maio deste ano, foi assaltado na Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, enquanto trafegava de moto com o filho, de quatro anos. Na ocasião, dois criminosos levaram o veículo.

Segundo ele, os assaltantes não fizeram ameaças diretas porque perceberam que a criança estava na garupa. Ainda assim, a experiência fez com que desistisse de andar de moto.

O empresário afirmou que, até então, não costumava andar com seguranças. Disse que geralmente circula acompanhado de funcionários e pessoas próximas, mas que a tentativa de assalto desta quinta-feira o fez considerar contratar uma equipe de proteção.

— Normalmente não tenho segurança particular, mas estou começando a pensar nessa hipótese. Não tem como mais andar em qualquer parte da cidade sem preocupação — concluiu.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/11/05/ele-colocou-a-arma-na-minha-cabeca-e-disse-que-ia-me-matar-diz-empresario-vitima-de-tentativa-de-assalto-na-lagoa.ghtml

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