Neste domingo, 24, Petrópolis recebe a etapa comemorativa dos 11 anos do Circuito Cervejeiro de Corrida, evento que nasceu bem ali, na serra fluminense com a proposta de reunir amigos para correr sem pressão e com direito a brindar no percurso. Lamento não estar lá, porque amo correr e amo cerveja, e poucas ideias parecem tão perfeitas quanto juntar tênis no pé e brinde na mão em pleno domingo.
O circuito foi criado por Farli Gandra de Farias, que, antes de organizar o evento, já tinha uma equipe de corrida na cidade, e viajava com a turma para correr em vários lugares do Brasil. Com o tempo, ele percebeu que, muitas vezes, a corrida era apenas uma desculpa. “Na verdade, a gente queria estar junto com os amigos e viajar. A corrida era quase um detalhe”, conta.
A ideia para o circuito veio da experiência de transformar corrida em experiência de viagem na vida real. “Comecei a notar que o pessoal ficava essa meia hora no evento, mas depois ia para o bar, e passava pelo menos duas horas batendo papo, dando risada, tomando uma cervejinha. Foi daí que resolvi unir tudo em um evento que tivesse corrida, cervejinha, música na chegada e cidades turísticas”.
Nascia ali uma prova que, na verdade, prefere nem se definir exatamente como prova. O Circuito Cervejeiro não tem caráter competitivo nem classificatório. A ideia é justamente tirar o peso da performance e colocar a experiência no centro. “O circuito foi feito para pessoas que valorizam o entretenimento, a diversão, o bem-estar físico e mental”.
Na prática, a dinâmica parece mais uma festa do que uma corrida tradicional. A largada e a chegada acontecem em uma arena, normalmente montada em uma cervejaria local ou feira de cervejas artesanais. O percurso costuma ter cerca de apenas três quilômetros, com pontos de parada a cada quilômetro para degustação de cerveja, música e confraternização. Uma equipe do Circuito vai à frente, guiando o grupo, em clima de bloco de carnaval esportivo.

A medalha é sempre um abridor de garrafas“Todos fazem o percurso juntos. A gente vai batendo palma, cantando músicas do evento. Quando chega no ponto de parada, a pessoa ganha uma cerveja e fica aproximadamente 20 minutos, para todo mundo beber sua cervejinha tranquilo, sem correria”.
A chegada mantém o mesmo espírito. Há medalha, mas sem pódio. E também banda ao vivo, cervejas, petiscos e, em algumas cidades, até almoço. Um detalhe é que a medalha é sempre um abridor de garrafas. “Na verdade, não é uma prova, é um evento de entretenimento”, assume Farli.
O sucesso do circuito ajuda a explicar uma mudança importante na corrida de rua. Ao lado das maratonas, meias e provas cada vez mais técnicas, cresceu um público interessado em correr apenas pelo prazer, lazer, viagem e saúde mental. Não se trata de abandonar a performance, mas de abrir espaço para outros jeitos de viver o esporte. “Muita gente que nunca tinha corrido na vida começa a ir pela brincadeira, pela descontração”.

E, embora a cerveja esteja até no nome do circuito, Farli faz questão de colocar o foco em outro lugar: o encontro. “A cerveja é um detalhe. O principal objetivo é fazer com que as pessoas reúnam seus familiares e amigos para viajar. Já existem estudos que indicam que viajar é uma forma essencial de autocuidado e bem-estar. Esse é o foco principa”.
O público médio gira em torno de 500 participantes, mas o número de visitantes costuma ser bem maior, já que muita gente viaja acompanhada. “Às vezes, leva quase mil pessoas para a cidade. Vai uma pessoa inscrita, mas leva a esposa, o filho, às vezes dois filhos, às vezes a sogra. Então esse número, na maioria das vezes, dobra”.
Essa vocação turística se tornou uma marca do circuito. Hoje, o evento acontece em 18 cidades de quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. A escolha dos destinos não é aleatória. O calendário privilegia cidades com apelo turístico, cervejeiro, gastronômico ou natural, de Petrópolis a Paraty, de Ilha Grande a Ouro Preto, de Campos do Jordão a Monte Verde, de Penedo a Ubatuba.

Depois da etapa de aniversário em Petrópolis, o Circuito Cervejeiro segue por outras cidades, incluindo algumas do interior do Rio: Aldeia Velha, em 27 de junho; Arraial do Cabo, em 1º de agosto; Lumiar, em 22 de agosto; e Penedo, em 14 de novembro.

