Debate sobre paternidade ganha os palcos em dois solos que estreiam

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A figura paterna — seja pela presença desejada ou pela ausência que deixa marcas — atravessa duas estreias teatrais neste fim de semana. Em comum, os solos “Manso”, de Felipe Haiut, e “Frágil”, protagonizado por Inês Oneto, transformam experiências íntimas em reflexão coletiva sobre masculinidade, abandono afetivo e os vínculos entre pais e filhos. Em cartaz no Sesc Tijuca, “Manso” nasce de uma pergunta direta: “Eu me pergunto quando nasce um pai e o que faz de alguém pai”, afirma Felipe Haiut, autor e intérprete do espetáculo dirigido por André Paes Leme.

Após o sucesso de “Selvagem” – que percorreu capitais do mundo como Berlim, Lisboa e Nova York -, Haiut retorna à cena em um solo que acompanha um homem diante da iminência de perder o filho recém-nascido. A partir dessa situação-limite, o espetáculo investiga as contradições de um homem que tenta sustentar uma ideia de força enquanto encara a própria vulnerabilidade.

“Num país em que é muito comum ouvir sobre a ausência paterna, escrevi uma dramaturgia para responder a essa questão com a presença. Um homem que está diante da iminência de não se tornar pai — e cujo maior desejo é fazer de tudo para poder ser”, diz o artista.

O contraponto aparece em “Frágil”, produção luso-brasileira que ocupa o Teatro O Tablado apenas nos dias 22, 23 e 24 de maio. Enquanto “Manso” fala da tentativa de presença, “Frágil” mergulha justamente nas consequências da ausência paterna. Dirigido por Diana Herzog e protagonizado por Inês Oneto, o espetáculo utiliza a técnica verbatim — em que a atriz reproduz ao vivo depoimentos reais ouvidos por fones de ouvido — para construir uma narrativa atravessada por relatos de abandono afetivo.

“A escolha pelo verbatim veio da necessidade da Inês de contar outras histórias além da dela”, explica Herzog. “Ao tentar falar de si, a fragilidade do tema a leva a atravessar relatos de outras mulheres, que ecoam afetivamente — são, no fundo, histórias de filhas marcadas pela ausência paterna.”

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Em cena, Inês Oneto conduz diferentes vozes e experiências em um solo que mistura autoficção e teatro documental. “Parte de um lugar íntimo, mas rapidamente percebi que a ausência paterna atravessa muitas vidas. Tornou-se urgente falar sobre isso: não normalizar, não romantizar, não desculpar”, afirma a atriz.

A artista destaca ainda a escuta como elemento central da montagem. “Colocar-me como mediadora dessas vozes foi, acima de tudo, um exercício de escuta. Cada história é única, mas partilha muitos pontos de contato”, diz.

Embora sigam caminhos distintos — um mais poético e ficcional, outro documental e baseado em testemunhos reais —, os dois espetáculos dialogam diretamente entre si. Ambos tratam da herança emocional deixada pelas relações familiares e propõem novos olhares sobre a masculinidade contemporânea.

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Programe-se

Manso

De 21 de maio a 14 de junho, no Sesc Tijuca
Quinta a sábado, às 19h; domingos, às 18h
Ingressos: R$ 20 (inteira)

Frágil

Dias 22, 23 e 24 de maio, no Teatro O Tablado
Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 20h
Ingressos: R$ 80 (inteira)

Renata Araújo é jornalista, editora do site You Must Go! e da página no Instagram @youmustgoblog





Com informações da fonte
https://vejario.abril.com.br/coluna/renata-araujo/debate-sobre-paternidade-ganha-os-palcos-em-dois-solos-que-estreiam/

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