Uma lagoa aparentemente calma pode transmitir sensação de segurança, especialmente para famílias com crianças ou pessoas que procuram fugir das ondas do mar. No entanto, a ausência de ondas não elimina o risco de afogamento em lagoas.
Fundos irregulares, mudanças repentinas de profundidade, lama, vegetação aquática, circulação de embarcações e áreas sem monitoramento são alguns dos perigos que precisam ser considerados antes de entrar na água.
Segundo o guarda-vidas Muryllo Rosa, da Defesa Civil de Maricá, as ocorrências em lagoas apresentam características diferentes das registradas no mar. “Nas lagoas é mais frequente quando envolve jet ski ou embarcações. Quando acontece um afogamento, a pessoa geralmente afunda de início”, explicou.
A declaração representa a experiência operacional do profissional. Isso não significa que todo afogamento em lagoa seja necessariamente mais grave do que um ocorrido no mar. Qualquer afogamento é uma emergência e pode evoluir rapidamente.
Água parada pode esconder perigos
Diferentemente das praias, onde as ondas e correntes costumam ser mais visíveis, muitos riscos das lagoas ficam escondidos abaixo da superfície.
A pessoa pode caminhar por uma área rasa e, repentinamente, encontrar um buraco ou uma mudança na profundidade. Mesmo quem sabe nadar pode enfrentar dificuldades ao pisar em um fundo instável, ficar preso em vegetação ou se assustar ao perder o apoio.
Crianças devem permanecer sob supervisão constante de um adulto, inclusive em locais considerados rasos.
Resgate pode ser mais difícil
De acordo com Muryllo, a movimentação do mar pode, em determinadas circunstâncias, ajudar os agentes a perceber a posição de uma pessoa em dificuldade. Na lagoa, a ausência dessa movimentação pode dificultar a localização quando a vítima desaparece da superfície.

“O afogamento na lagoa geralmente é pior do que no mar porque não tem o que a gente fala das ondas, que conseguem mover a pessoa até a gente chegar. Na lagoa, quando tem um afogamento, a pessoa geralmente afunda de início”, relatou.
No mar, por outro lado, existem riscos graves como correntes de retorno, ondas fortes, valas e mudanças rápidas nas condições. A comparação não deve ser entendida como uma indicação de que um dos ambientes é seguro. O perigo depende das condições do local, do comportamento do banhista e da presença de equipes de salvamento.
Embarcações exigem atenção
Passeios de barco, caiaque, canoa e moto aquática também exigem cuidados.
O colete salva-vidas deve ser adequado ao tamanho da pessoa, estar bem ajustado e ser utilizado durante toda a atividade. Não basta deixar o equipamento guardado dentro da embarcação. O consumo de bebida alcoólica também deve ser evitado antes e durante atividades aquáticas ou passeios de barco.
Procure uma área monitorada
A Defesa Civil de Maricá mantém atuação tanto nas praias quanto nas lagoas. Antes de entrar na água, a recomendação é localizar o posto ou agente mais próximo e perguntar quais pontos estão mais seguros naquele momento. “Venha conversar com a gente e se oriente. Vamos informar qual é o melhor local para você chegar com sua família”, reforçou Muryllo.
Em uma lagoa, a superfície calma mostra apenas uma parte do ambiente. A prevenção começa reconhecendo que os perigos nem sempre estão visíveis.
