Itaipuaçu terá hospital? Vereador revela conversa com Quaquá e aponta mudança de planos

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Maricá e Rio de Janeiro – Depois de duas sessões esvaziadas, 18 dos 21 vereadores compareceram nesta terça-feira (3). Vereador afirma que o prefeito autorizou a construção do hospital; a Prefeitura ainda não anunciou o projeto.

A Câmara Municipal de Maricá voltou a funcionar nesta terça-feira (3). Depois de duas sessões seguidas sem quórum na semana passada, 18 dos 21 vereadores compareceram à 53ª Sessão Ordinária. A saúde dominou a tribuna, e o debate sobre um hospital em Itaipuaçu voltou.

Na terça (27) e na quinta-feira (29) de outubro, só três parlamentares responderam à chamada: o presidente da Casa, Aldair de Linda, e os vereadores Chiquinho e Ricardinho Netuno, ambos do PL. Sem o número mínimo de presentes, as duas sessões não aconteceram. Nesta terça, faltaram Adriana Costa, Andrea Cunha e Hadesh.

Primeiro a usar a tribuna, Chiquinho disse que, depois das sessões sem quórum, “é muita denúncia que a gente recebe no dia a dia”.

Pauta acumulada e ordem do dia vazia

Com o plenário de volta, foram lidos 82 itens do expediente que estavam parados. Entre eles estavam 39 justificativas de falta, das sessões de 22, 27 e 29 de outubro. O expediente tinha ainda 35 indicações, três moções de aplausos, duas indicações legislativas, um ato da Mesa Diretora, um projeto de lei complementar e um projeto de resolução.

A ordem do dia, porém, ficou vazia. A pauta impressa às 10h36 trazia a primeira votação do Projeto de Resolução 5/2026, da Mesa Diretora, que regulamenta a concessão de planos de saúde e odontológico coletivos na Câmara. O projeto foi retirado a pedido do próprio presidente, e a versão das 12h20 já informava “nada consta para votação”. O relatório de votação do sistema da Câmara não registra nenhuma votação na sessão.

Na quinta-feira (29), quando a sessão caiu por falta de quórum, Aldair havia dito que o plano custaria cerca de R$ 80 mil por mês e que os vereadores não estariam incluídos.

Um novo Conde Modesto Leal

Na tribuna, o vereador Marcinho da Construção explicou a Indicação 2.133/2026, de sua autoria. Ela pede ao Executivo um novo Hospital Municipal Conde Modesto Leal, “com estrutura física ampliada, moderna e adequada às crescentes demandas da saúde pública”. Segundo o vereador, a ideia não é demolir o hospital, que tem valor histórico. A unidade atual continuaria funcionando enquanto um prédio novo é construído em outro terreno.

“Ali tem uma capacidade pra 94 leitos, e da última vez que eu estive ali, tinha mais de 140 leitos ocupados, porque não pode deixar de atender”, afirmou. Marcinho comparou o Conde com o Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara, que chamou de “um hospital de portas fechadas que atende muito bem”. Para ele, a cidade precisa também de “um hospital de portas abertas pra que a população seja melhor atendida”.

A superlotação do Conde já foi tema de reportagens do Maricá Info. Em março, pacientes relataram mais de duas horas de espera após a triagem. Na época, a Prefeitura informou que o hospital opera com equipes completas e espera de cerca de uma hora nos casos não urgentes.

Presidente defende hospital em Itaipuaçu

O presidente da Câmara concordou que a cidade precisa de outro hospital, mas defendeu outro endereço. “Concordo plenamente que nós temos que ter outro hospital na cidade, mas esse hospital, pra mim, teria que ser no quarto distrito, quando é o distrito que mais tem problema, que tem mais habitantes hoje no município”, disse Aldair.

Segundo ele, falta espaço no Centro para um novo hospital. Ele disse ainda que a unidade em Itaipuaçu era um planejamento do governo anterior e que o prefeito Washington Quaquá “não deu andamento” a ele. O presidente sugeriu uma indicação conjunta dos vereadores para que o hospital seja construído no distrito. Marcinho respondeu que pensa num novo Conde no próprio Centro, em outro terreno, e que Itaipuaçu também precisa de uma unidade.

O Hospital de Itaipuaçu foi anunciado pela Prefeitura em março de 2023, ainda na gestão de Fabiano Horta. O terreno, de cerca de 19 mil metros quadrados, fica entre a Rua Hélio Guapyassu de Sá (antiga Rua 66) e a Rua 63, no Jardim Atlântico Leste. A unidade de urgência e emergência teria mais de 100 leitos, CTI pediátrico e uma base do Samu, com entrega prevista para 2024. Em abril de 2024, o Maricá Info mostrou que as obras nem tinham começado, e o hospital continua sem sair do papel. Itaipuaçu concentra cerca de um quarto da população de Maricá.

Vereador diz que prefeito autorizou a obra

Na mesma sessão, o vereador Adelso Pereira disse ter se reunido com o prefeito na semana passada. “Nós já tivemos com o prefeito, conversando com ele, ele já autorizou lá com o secretário de Saúde a construção do hospital de Itaipuaçu”, afirmou.

Segundo Adelso, Quaquá disse que o hospital não era promessa de campanha dele. O prefeito avaliava que a cidade precisava de outras unidades de saúde, e não de um hospital. “Mas agora ele viu a necessidade realmente de se construir”, relatou o vereador. Pelo que ele contou, a ideia é ampliar a Unidade de Pronto Atendimento Municipal (UPAM) Santa Rita, que atende urgência e emergência em Itaipuaçu, e transformá-la em hospital. O prefeito teria reunido os secretários de Saúde e de Governo para tocar o projeto.

Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura não tinha anunciado o projeto. Nos últimos meses, a gestão apostou na atenção primária. Em agosto, anunciou 40 novas Unidades de Saúde da Família, com obras em andamento na Rua 66, no Jardim Atlântico, e no condomínio Minha Casa Minha Vida de Itaipuaçu.

Cobranças nos postos

Chiquinho também rebateu uma reportagem que coloca a atenção primária de Maricá entre as melhores. Ele leu mensagens que diz receber de moradores: “Eu vou no posto de saúde, vereador, não encontro insulina. Eu vou no posto de saúde, não encontro fita. Eu vou no posto de saúde, não encontro médico. Tão marcando médico pra janeiro, pra fevereiro”.

Entre os relatos, o vereador citou falta de médico no posto do Minha Casa Minha Vida, espera de mais de três meses por fitas para diabetes e consultas marcadas só para fevereiro no posto da Mumbuca. Ele criticou ainda a instalação de lixeiras ao lado de parquinhos e de uma academia da terceira idade em praças do Caju.

Salas ociosas e hemodiálise

Aldair questionou a construção de novos prédios enquanto, segundo ele, há salas ociosas no Hospital Che Guevara. O presidente citou o centro de hemodiálise da unidade: “Pagamos três meses de equipamento de hemodiálise, não fez um procedimento de hemodiálise. Isso é uma vergonha”. Ainda segundo ele, 156 pacientes de hemodiálise saem de casa às 5h e voltam às 17h para fazer o tratamento no Rio de Janeiro. Ele disse também que a cidade não oferece tratamento de colostomia.

O Centro de Hemodiálise Nete da Mumbuca foi inaugurado no Che Guevara em 26 de maio. Na época, a Prefeitura informou que a unidade tinha 32 estações e capacidade para mais de 120 pacientes fixos, com cerca de 2.300 sessões por mês.

Outros temas

Marcinho pediu à Somar um contrato de manutenção das ruas durante as obras de drenagem e propôs uma moção coletiva aos cinco deputados eleitos pela cidade. Adelso lembrou a campanha Novembro Azul, de cuidado com a saúde do homem.

O espaço está aberto para manifestação da Prefeitura de Maricá e da Secretaria Municipal de Saúde.





Com informações da fonte
https://maricainfo.com/itaipuacu/itaipuacu-tera-hospital-vereador-revela-conversa-com-quaqua-e-aponta-mudanca-de-planos/

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