A Polícia Civil vai analisar imagens de duas câmeras recuperadas da asa-delta que transportava o turista argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26 anos, e o instrutor brasileiro Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, de 45, mortos após uma colisão durante a aproximação para o pouso em São Conrado, na Zona Sul do Rio, na segunda-feira.
Delegada titular da 15ª DP (Gávea), Daniela Terra explica que aguarda o recebimento das câmeras, que estavam acoplados à asa-delta. Um laudo técnico elaborado pelo Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL) também será entregue à Polícia Civil.
Segundo ela, a associação tem autorização para realizar uma perícia própria sobre o acidente, cujo resultado será encaminhado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) para análise da polícia.
— A gente também já pediu a perícia da asa-delta. Agora temos que esperar chegarem essas imagens e esse laudo do clube — observa a delegada.
Segundo o registro de ocorrência feito na delegacia, policiais militares foram acionados para atender a um acidente no campo de pouso do clube. O documento descreve que o instrutor e o passageiro colidiram contra uma parede durante a aproximação para o pouso.
A estrutura colada à areia conta com uma placa indicando, em português e inglês, que se trata de uma rampa de pouso de asa-delta. Há indicação de “perigo” no chão.
Após o impacto, os dois foram socorridos e levados ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Adrian apresentava sangramento nos dois ouvidos, segundo o relato do vice-presidente do CSCVL, José Bruno Batalha Menescal Filho, à polícia. Luiz foi retirado do local ainda com sinais vitais, mas em estado grave. Ambos morreram na unidade de saúde.
O Ministério Público do Rio informa que aguarda a polícia concluir a investigação para que o caso seja encaminhado para a Promotoria de Investigação Penal com atribuição da Zona Sul.
Amigos chegaram ao Rio na véspera
Adrian fazia seu primeiro voo e estava na cidade com um grupo de amigos que também saltou na Pedra Bonita.
Fernando Emanuel Solis Gomez, amigo de Adrian havia cerca de 15 anos, também prestou depoimento na delegacia. Argentino e morador de Puerto Deseado, ele contou que chegou ao Rio na véspera do acidente, junto a um grupo de amigos e que, no dia seguinte, foi com eles para realizar saltos de asa-delta. Fernando afirmou que não presenciou o acidente.
No depoimento, ele não detalhou quantas pessoas integravam o grupo nem como os voos foram contratados.
Um dia após o acidente, o Clube São Conrado de Voo Livre permanecia fechado na manhã desta terça-feira, sem decolagens ou pousos na rampa da Pedra Bonita. Apesar da suspensão das atividades, instrutores começaram a chegar ao local ao longo da manhã e se reuniram nos bancos em frente à entrada do clube.
