O mundo que prometeu integração, prosperidade e abastecimento sem fronteiras agora se prepara para o risco de ficar sem o básico. Guerras, tensões geopolíticas, ataques cibernéticos e crises climáticas acendem o alerta
Depois de décadas vendendo a globalização como sinônimo de segurança e prosperidade, governos fazem um alerta que parece coisa de tempos de guerra: preparem suas reservas de comida e água!
Mais de 33 países estão orientando a população a manter estoques de emergência em casa. O temor é que conflitos, ataques cibernéticos ou catástrofes naturais interrompam serviços essenciais e deixem milhões de pessoas sem acesso a produtos básicos.
No Reino Unido, a recomendação é manter suprimentos para pelo menos 72 horas. Na França, o prazo também é de três dias. Noruega e Suécia orientam estoques para até sete dias, enquanto na Alemanha a preparação pode chegar a dez dias. No Japão, a preocupação inclui terremotos e tufões.
A conta da globalização começa a chegar?
A pandemia já mostrou como o mundo pode parar quando as cadeias internacionais de produção e distribuição são interrompidas. Faltaram produtos, fábricas pararam e o abastecimento foi afetado em diversos países.
Agora, guerras ameaçam rotas comerciais, disputas entre potências elevam a tensão e ataques digitais podem comprometer energia, telecomunicações e abastecimento de água.
A contradição é evidente: o modelo que tornou os países cada vez mais dependentes uns dos outros agora leva governos a preparar suas populações para o dia em que essa rede de dependências falhar.
O que ter em casa?
As recomendações incluem água potável, alimentos enlatados e não perecíveis, medicamentos, lanternas, pilhas, rádio portátil, carregadores, dinheiro em espécie e material de primeiros socorros.
Não significa que uma guerra mundial ou um desabastecimento sejam iminentes. Mas o recado é claro: governos já não tratam a estabilidade dos serviços essenciais como algo garantido.
O mundo que apostou na integração global agora ensina seus cidadãos a se preparar para sobreviver sem ela. Afinal, o que está acontecendo com a segurança do mundo globalizado?
