46 anos sem Steve McQueen, O Arquétipo do Anti-Herói de Poucas Palavras

Tempo de leitura: 8 min


O dia 7 de novembro marca a data em que o ator americano Steve McQueen nos deixou. Mais de quatro décadas se passaram desde sua morte, mas o mito permanece intacto. Ele entrou para a história das artes dramáticas não apenas como uma das maiores estrelas do cinema, mas também como um ícone cultural. Seu estilo de atuação contido e sutil — que até hoje inspira gerações de atores ao redor do mundo — gerava uma conexão e identificação imediatas com o público, quer ele interpretasse o herói ou o anti-herói da trama. Descrito por especialistas da sétima arte como o ápice da atitude e da elegância natural em cena, McQueen consagrou o célebre apelido de “The King of Cool”. Brian Williams, ex-âncora da NBC e eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, resumiu o impacto de McQueen na cultura ocidental quando afirmou que ele se tornou a referência absoluta de estilo e de postura masculina perseguida pelo público por décadas.

Vindo de um contexto familiar turbulento, McQueen frequentemente dava vida a personagens rebeldes, densos, obstinados e sedutores — papéis que refletiam de forma muito próxima sua história pessoal. A voz grave e pausada, a economia corporal, os movimentos precisos, o olhar expressivo, o carisma e o talento fizeram dele uma figura indispensável nas produções dos anos 1960 e 70. Mesmo com a fama de ser um profissional difícil e de volta e meia entrar em atrito com os diretores, sua presença na produção garantia tanto boas bilheterias quanto a aprovação da crítica. A força de sua atuação transformou muitas dessas obras em clássicos. E McQueen era criterioso na escolha dos papéis que interpretava: recusou propostas milionárias e disse “não” a grandes cineastas, entre eles Francis Ford Coppola e Miloš Forman, para estrelar filmes como Apocalypse Now (1979) e Um Estranho no Ninho (1975).

(google/Google)

Nomes como Colin Farrell, Kevin Costner, Pierce Brosnan e Bruce Willis o citam frequentemente como modelo para a construção de personagens. O astro também é sempre citado nas listas das maiores estrelas de todos os tempos de revistas como Première e Empire. O alcance de sua influência ultrapassou o cinema e marcou forte presença na música:

– A banda The Rolling Stones se refere a ele na faixa “Star Star”.

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– Sheryl Crow homenageou o ator no single “Steve McQueen”.
– A banda Drive-By Truckers escreveu um tributo que retrata o impacto cultural do ator na infância de muitos fãs: “Quando eu era menino, queria crescer para ser Steve McQueen”.
– O grupo Prefab Sprout nomeou um de seus álbuns mais aclamados como Steve McQueen.
– O ator também é citado em composições de Leonard Cohen, R.E.M., Beastie Boys, Blur, Boy George, Elton John, entre outros artistas.

McQueen se definia como um “cínico indomável” e um “rebelde atípico”, sempre atraído por personagens obcecados por alguma causa. Amante da velocidade, transformou a paixão por carros e motos em um acervo pessoal que reunia mais de 100 motocicletas. Ao estrear em Hollywood em meados de 1950, foi imediatamente apontado como sucessor de James Dean, que havia marcado a cultura pop com Juventude Transviada (1955) e morrido tragicamente aos 24 anos, pouco antes do lançamento do filme.

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Steve McQueen se casou três vezes:

– Neile Adams: Cantora e dançarina, com quem viveu por 16 anos e teve dois filhos.
– Ali MacGraw: Estrela do clássico Love Story (1970), a quem conheceu no set de Os Implacáveis (1972) e com quem ficou casado entre 1973 e 1978.

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– Barbara Minty: Modelo com quem compartilhou os dois últimos anos de vida.

Steve McQueen morreu em 7 de novembro de 1980, aos 50 anos, em decorrência de um mesotelioma, câncer raro na membrana que reveste os pulmões. Atendendo a um pedido seu, seu corpo foi cremado e as cinzas foram lançadas no Oceano Pacífico. Posteriormente, seu nome foi imortalizado no Motorcycle Hall of Fame. Sete filmes essenciais para compreender o legado e a influência de Steve McQueen:

Dois homens, um careca de chapéu preto e cigarro na boca, e outro de chapéu bege segurando um rifle, sentados em uma charrete, olhando para a frente. Ao fundo, um prédio de madeira com a placa HOTEL vertical.
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– Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960)

Um dos faroestes mais emblemáticos do cinema, no qual McQueen rouba a cena mesmo atuando com um elenco estelar liderado por Yul Brynner. Disponível para aluguel ou compra no Apple TV e na Prime Video.

Homem loiro de suéter cinza e calça bege sentado em uma motocicleta preta, olhando para frente, em um campo verde com montanhas e casas ao fundo
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– Fugindo do Inferno (The Great Escape, 1963)

O filme que consolidou sua imagem de anti-herói corajoso e rebelde. A célebre cena em que seu personagem tenta saltar de moto a cerca de arame farpado na fronteira entre a Alemanha e o território neutro Suíça, onde ele quer chegar, tornou-se uma das imagens mais icônicas da história do cinema. Disponível no Netflix.

Ator Steve McQueen como marinheiro, usando chapéu branco e camisa azul-clara aberta, olhando fixamente. Ele segura um poste de madeira com a mão direita, em frente a uma parede de metal com uma escotilha redonda escura à esquerda
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– O Canhoneiro do Yang-Tsé (The Sand Pebbles, 1966)

Drama épico ambientado na China dos anos 1920 que deu a Steve McQueen a sua única indicação ao Oscar de Melhor Ator. Na pele de um maquinista da Marinha americana, ele faz uma das atuações mais complexas e humanas de sua carreira. Disponível para aluguel ou compra na Prime Video.

Steve McQueen, com suéter de gola alta e blazer escuros, posa ao lado de um Ford Mustang preto, placa JJZ 109, em uma rua com meio-fio e parede clara ao fundo
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– Bullitt (1968)

Definiu o padrão do gênero de ação policial e apresentou a sequência de perseguição de carros mais famosa do cinema pelas ruas de São Francisco. McQueen, que dirigiu a maior parte dos take de ação, fixou o modelo de atitude cool que influenciaria esse tipo de filme por décadas. Disponível na HBO Max.

Cartaz do filme The Getaway com Steve McQueen e Ali MacGraw. McQueen, em primeiro plano, atira com uma espingarda, fumaça e fogo saindo do cano. Ali MacGraw, atrás dele, atira com uma pistola, com expressão de fúria. O título do filme e os nomes dos atores estão em destaque no lado direito.
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– Os Implacáveis (The Getaway, 1972)

Dirigido por Sam Peckinpah, este clássico thriller de assalto combina violência estilizada e tensão constante. Além da performance marcante de McQueen como o ex-presidiário Doc McCoy, o filme é famoso pela química com Ali MacGraw (com quem ele se casaria logo depois). Disponível na Prime Video.

Homem branco de cabelo curto, vestindo camisa e calça listradas, com expressão de esforço e punho cerrado, em meio à vegetação densa
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– Papillon (1973)

Com uma atuação visceral ao lado de Dustin Hoffman nesse drama sobre a fuga de uma prisão de segurança máxima na Guiana Francesa, McQueen demonstra toda a sua força dramática, que vai além dos filmes de ação. Disponível na Oldflix e Looke.

Dois homens, um de camisa bege e suspensórios e outro com jaqueta prateada e colete preto, olham para baixo com expressões sérias e preocupadas
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– Inferno na Torre (The Towering Inferno, 1974)

Um dos maiores sucessos de bilheteria dos anos 1970 no gênero “filme de desastre”. McQueen interpreta o chefe dos bombeiros ao lado de Paul Newman, em um duelo cinematográfico de gigantes. Disponível para aluguel ou compra no Apple TV e na Prime Video.

 



Com informações da fonte
https://vejario.abril.com.br/coluna/mario-abbade/46-anos-sem-steve-mcqueen-o-arquetipo-do-anti-heroi-de-poucas-palavras/

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