Estudo da Firjan calcula impacto ecônomico de R$ 21,4 bilhões por ano à economia fluminense com o domínio do tráfico e milícias sobre serviços e produtos

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Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que a exploração de serviços e produtos não é uma prática restrita a uma única organização criminosa do município. Facções como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), além de grupos da milícia, operam como um cartel territorial. De acordo com o cálculo feito, esse domínio custa cerca de R$ 21,4 bilhões por ano à economia formal fluminense, um dos maiortes valores absolutos do país.

Na Região Metropolitana, grupos armados passaram a comandar a distribuição de alimentos como arroz e trigo, além de itens de limpeza e materiais de construção, forçando comerciantes a comprar de fornecedores indicados por eles. Especialistas afirmam que, a longo prazo, o avanço pode comprometer o desenvolvimento econômico do Estado.

Custo de R$ 21,4 bilhões por ano

Segundo a Firjan, empresas que atuam no Rio têm um gasto adicional de cerca de R$ 9,7 bilhões por ano, o equivalente a 0,7% do PIB do estado, com segurança, seguro, logística e gestão de risco, além de perdas de produtividade e de atratividade para novos investimentos.

Em março do ano passado, um comerciante foi informado de que uma de suas padarias, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, estava sem energia elétrica. Pouco tempo depois de chegar ao estabelecimento, dois homens passaram em frente ao comércio em uma motocicleta e dispararam cinco vezes contra o proprietário.

De acordo com a apuração da Delegacia de Homicídios da Capital, o crime teria sido motivado pela recusa do comerciante de aderir à “taxa da farinha”, mecanismo que, além de impor o fornecedor do trigo, determina o preço de venda do pão, que passou de R$ 0,30 para R$ 0,60 a unidade. O proprietário havia inaugurado a padaria apenas quatro meses antes de ser assassinado e já pagava a “taxa de segurança”.

Após o ocorrido, foram identificados pelo menos três empresas ligadas ao crime organizado que monopolizavam a distribuição de trigo na Zona Oeste.

Domínio atinge botijões de gás, água mineral, cesta básica, cigarro, bebidas, tijolos e até areia para lojas de materiais de construção

O controle de facções criminosas e grupos da milícia atinge há mais tempo a venda de botijões de gás e água mineral, e agora também está chegando à cesta básica, ao arroz, ao cigarro e às bebidas. Em uma denúncia anônima encaminhada ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) no fim do ano passado, foi informado que comerciantes desses produtos numa determinada área da Zona Oeste são obrigados a comprar exclusivamente de empresas ligadas à milícia.

O crime também avançou na venda de tijolos e areia para lojas de materiais de construção em Queimados, Nova Iguaçu e Itaguaí, na Baixada Fluminense. Segundo denúncias investigadas pela Promotoria de Investigação Penal de Itaguaí, comerciantes estariam sendo obrigados a adquirir esses produtos de fornecedores indicados por paramilitares. O órgão apura ainda a suspeita de extorsão a proprietários de usinas de energia solar. Além de cobrança de taxas para funcionar no município, os criminosos estariam exigindo dos empresários a contratação de empresas de manutenção vinculadas à quadrilha.

O tráfico e as milícias, que antes restringiam o direito de ir e vir de moradores, agora avançam sobre o mercado de produtos essenciais para o dia a dia da população.

Com informações do Jornal “O Globo”.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/estudo-firjan-dominio-trafico-milicias/

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