No clima da semifinal da Copa, Rio tem bairros Argentino e Ingleses; conheça as histórias

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Se Argentina e Inglaterra vão medir forças a milhares de quilômetros do Rio na semifinal da Copa do Mundo, nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), a cidade tem um duelo próprio acontecendo a poucos quilômetros de distância. Na Zona Norte, dois bairros recém-criados carregam no nome a referência aos países rivais: o Argentino, entre Brás de Pina e Vila da Penha, e o Bairro dos Ingleses, entre Del Castilho e Maria da Graça, separados por cerca de 12 quilômetros, trajeto que leva pouco menos de 20 minutos de carro. Enquanto o primeiro foi oficializado no ano passado, o segundo está prestes a ser incorporado.
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Apesar da inspiração nos mesmos adversários que se enfrentam nos gramados, as histórias das duas localidades seguem caminhos opostos. O Argentino nasceu de uma mobilização dos moradores para conquistar uma identidade própria e se afastar do estigma associado à violência em áreas próximas. Já o Bairro dos Ingleses busca oficializar uma memória construída há décadas, ligada aos técnicos britânicos que ajudaram a desenvolver a antiga Companhia de Tecidos Nova América.
Argentino e busca por nova identidade
Ainda o mais novo bairro oficial do Rio, o Argentino surgiu após uma longa articulação dos moradores de um pequeno trecho antes associado a Brás de Pina, entre áreas próximas a Vista Alegre e Vila da Penha. A lei que criou o bairro foi sancionada pelo então prefeito Eduardo Paes (PSD) em maio de 2025, transformando a localidade no 166º bairro da cidade e no menor em extensão territorial.
A mobilização dos moradores tinha como principal objetivo mudar a maneira como a região era vista. Cercado por áreas afetadas pela violência, o local enfrentava problemas que iam desde a dificuldade de acesso por motoristas de aplicativo até obstáculos para entregas e atendimentos.
Para os cerca de 515 famílias que moram ali, a sensação é a de um “oásis de tranquilidade” em meio à turbulência da Zona Norte. A criação de um bairro com nome próprio, com isso, poderia ajudar a romper o estigma e fortalecer a identidade local.
O Argentino é delimitado pelo loteamento residencial cuja entrada principal está localizada na Avenida Meriti 3.000. O perímetro inclui as ruas Alcides Rosa, Cabo Herculano, Emílio Miranda e Cabo Rocha, abrangendo um espaço delimitado por cancelas e câmeras de vigilância.
— Vivemos na fronteira e no meio do fogo cruzado, literalmente. A gente sempre tem que pedir Uber na entrada, porque os motoristas têm medo de entrar. Ter um novo bairro e um novo CEP vai mudar muito como enxergam essa região — afirmou, na época, a moradora Iza Ferreira.
A renda média no bairro criado no ano passado é de R$ 6,2 mil por mês, maior do que em regiões como Catete, na Zona Sul, e Méier, na Zona Norte.
Localização do bairro Argentino
Editoria de Arte
Bairro dos Ingleses e a herança britânica
Do outro lado do “duelo”, o Bairro dos Ingleses tem uma origem ligada à história industrial do Rio. Entre Del Castilho e Maria da Graça, é parte de uma região que ficou conhecida por abrigar funcionários estrangeiros da antiga Companhia de Tecidos Nova América, especialmente técnicos britânicos que vieram trabalhar na fábrica.
A identidade inglesa permaneceu no traçado urbano e na arquitetura do local. O futuro bairro é marcado por ruas arborizadas, casas amplas, calçadas largas e um desenho inspirado no conceito de bairro-jardim. Há também elementos que reforçam a referência britânica, como uma cabine telefônica vermelha em estilo londrino instalada na região.
Entrada do Bairro dos Ingleses pela Rua Pires de Carvalho conta com réplica de cabine telefônica como guarita
Gabriel de Paiva
A proposta de criação oficial do Bairro dos Ingleses foi aprovada pela Câmara Municipal no último dia 30 e aguarda sanção do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD). A iniciativa partiu da associação de moradores, que busca preservar a memória da região e ampliar o reconhecimento do local.
Segundo a associação, o dos Ingleses reúne cerca de 800 imóveis em uma área predominantemente residencial. Muitas casas mantêm características antigas e terrenos amplos, uma herança do período em que a região era ocupada por funcionários da companhia têxtil e suas famílias.
O bairro fica entre a Avenida Dom Hélder Câmara, principal via da região, e o muro que cerca a linha férrea do metrô, no entorno da estação de Maria da Graça. Nesse trecho ficam as ruas Antônio de Freitas, Atílio Milano, Domingos de Barros, Ferreira Cardoso, Guanacás, Jacutinga, Pires de Carvalho, Resende Costa e Silva Rosa, além da Travessa Malafaia.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/noticia/2026/07/no-clima-da-semifinal-da-copa-rio-tem-bairros-argentino-e-ingleses-conheca-as-historias.ghtml

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