Enquanto o governo federal resiste a classificar facções criminosas como organizações terroristas, uma operação da Polícia Civil do Rio e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou uma investigação que pode mudar o tamanho da ameaça. Um esquema de lavagem de dinheiro que abastecia o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) é suspeito de manter ligação comercial com um operador apontado pelos Estados Unidos como integrante da estrutura de financiamento da Al-Qaeda.
A revelação ocorre pouco tempo depois de os Estados Unidos ampliarem a pressão sobre as facções brasileiras, enquadrando grupos criminosos ligados ao narcotráfico na política americana de combate ao terrorismo. A investigação apura o suposto elo entre CV, PCC e TCP com a Al-Qaeda. A Polícia Civil afirma ter identificado uma possível conexão financeira com um homem sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA por integrar a rede de financiamento da organização terrorista estrangeira.
Batizada de Operação Hawala, a ação cumpriu 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu. Até o momento, nove pessoas foram presas. Segundo o Gaeco, o grupo movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024 para lavar dinheiro do tráfico de drogas por meio de empresas de fachada espalhadas por diferentes estados.
As investigações apontam que a organização financeira prestava serviços diretamente ao TCP e ocultava recursos ligados ao CV e ao PCC. Para esconder a origem do dinheiro, os investigados utilizavam empresas fantasmas, depósitos fracionados, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas, laranjas e operações incompatíveis com a capacidade financeira declarada.
Outro ponto que elevou o alerta das autoridades foi a identificação de um núcleo de empresários de origem libanesa com atuação na Tríplice Fronteira, região historicamente monitorada por órgãos internacionais devido ao risco de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Agora, a Polícia Civil vai aprofundar a apuração para verificar se a relação comercial identificada representa apenas uma transação isolada ou um elo mais amplo entre o crime organizado brasileiro e redes internacionais ligadas ao terrorismo.

