Mais uma família destruída pela violência dos narcotraficantes. Mais um policial saiu de casa para defender a população e voltou em um caixão. A morte do inspetor da Polícia Civil Carlos Alberto Freire Neto, de 35 anos, casado e pai de dois filhos, nesta quarta-feira (8), após ser baleado na cabeça em uma emboscada de traficantes em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, reforça uma pergunta que volta a assombrar o país: até quando facções fortemente armadas continuarão impondo o terror sem serem tratadas como organizações terroristas pelo governo brasileiro?
Carlos Alberto integrava a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense e participava de uma operação de inteligência na Favela do Muquiço quando o carro descaracterizado em que estava foi alvo de uma chuva de tiros disparados por criminosos armados com fuzis. O policial morreu no hospital. A inspetora Juliele Brandt foi baleada na perna e segue internada. Após o atentado, centenas de agentes ocuparam a comunidade e prenderam quatro suspeitos.
O ataque escancara a guerra enfrentada diariamente pelo Estado. Facções dominam territórios, mantêm tribunais do crime, executam pessoas sem julgamento, expulsam moradores, usam a população como escudo humano e atiram contra policiais e civis para impedir operações. Em ações recentes, criminosos voltaram a disparar contra veículos e pessoas em vias públicas para forçar o recuo das forças de segurança, espalhando medo e paralisando bairros inteiros.
Enquanto isso, o debate sobre classificar essas organizações como grupos terroristas segue travado no governo federal. Para defensores desse enquadramento, o comportamento das facções já ultrapassou há muito tempo o tráfico de drogas: elas desafiam o Estado, controlam comunidades, impõem suas próprias regras pela força das armas e utilizam o terror como instrumento de domínio.
A morte de Carlos Alberto reacende também a discussão sobre um sistema penal que, na avaliação de integrantes das forças de segurança e especialistas, não consegue impedir a reincidência de criminosos de alta periculosidade. Enquanto o debate continua, mais uma família enterra um pai, um marido e um filho, e o país assiste a mais um herói tombar em uma guerra que parece não ter fim. Até quando?

