Um dos principais nomes do tráfico internacional de drogas com atuação em Minas Gerais, Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como “Mancha”, foi preso no último domingo (15) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. O brasileiro, de 34 anos, estava foragido desde 2024 e vivia em um condomínio de alto padrão, onde foi encontrado com documentos falsos (uma identidade boliviana e um passaporte italiano) e cerca de US$ 60 mil em dinheiro.
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A prisão foi resultado de uma operação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Civil de Minas Gerais. Considerado alvo prioritário das autoridades, ele integrava a lista de procurados do Ministério da Justiça e é investigado por tráfico internacional e interestadual de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Natural de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, “Mancha” começou a trajetória criminosa com roubos de carga e, ao longo dos anos, migrou para o narcotráfico em larga escala, com envio de drogas para a Europa e a Ásia.
Segundo as investigações, ele mantinha uma estrutura própria, conhecida como “Tropa do Douglas” ou “Tropa da Doideira (TDD)”, mas também estabeleceu alianças com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Autoridades apontam ainda que o criminoso tinha perfil “empresarial” e negociava com diferentes facções, incluindo integrantes do Comando Vermelho (CV), sem vínculo fixo.
As casas do chefe do PCC na Bolívia, segundo o Fantástico
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A lista de crimes atribuídos ao traficante inclui ainda operações sofisticadas de envio de drogas ao exterior. Em um dos casos, mais de 300 quilos de cocaína foram despachados para Portugal escondidos em cargas de açaí. Ele responde a processos por tráfico internacional de drogas, tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
A fuga que o colocou na lista de mais procurados ocorreu de forma inusitada. Em 2024, ao cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, ele rompeu o equipamento e o deixou preso a um macaco de pelúcia, despistando a polícia antes de deixar o país.
Foragido desde então, passou a viver na Bolívia sob identidade falsa, utilizando inclusive passaporte estrangeiro. No momento da prisão, além do dinheiro em espécie, os agentes apreenderam documentos falsificados que indicavam tentativa de ocultar sua identidade e facilitar a circulação internacional.
De acordo com investigadores, “Mancha” é apontado como um dos maiores narcotraficantes em atividade no Brasil, com movimentação de milhões de reais e atuação transnacional. Ele deve ser transferido para Minas Gerais, onde permanecerá à disposição da Justiça.

