Materiais e produtos foram recolhidos durante ação do 32º BPM no Parque Aeroporto, em MacaéFoto: Reprodução
A operação reuniu equipes do Grupamento de Ações Táticas e do Serviço Reservado, que fizeram abordagens em veículos, pessoas e estabelecimentos apontados durante o levantamento policial. A suspeita é de que provedores de internet estariam impedidos de atuar livremente na região.
Durante a ação, uma testemunha relatou aos policiais que estava em um dos estabelecimentos por orientação de integrantes do tráfico. Segundo o depoimento, outros provedores não teriam autorização para prestar serviços naquela área. O relato foi registrado por uma câmera operacional portátil.
Os policiais solicitaram a documentação da empresa, mas os responsáveis não apresentaram os documentos exigidos durante a abordagem. O local foi preservado para uma possível perícia. Quatro pessoas foram conduzidas à 123ª DP para prestar esclarecimentos.
A investigação também encontrou indícios de outra possível forma de controle comercial. Os policiais receberam informações de que comerciantes estariam sendo orientados a vender água mineral exclusivamente de uma determinada marca, o que poderia limitar a liberdade de escolha dos estabelecimentos e dos consumidores.
Em um dos pontos vistoriados, os agentes encontraram 13 galões de água mineral. O responsável pelo estabelecimento afirmou que deveria comprar o produto apenas de uma empresa e respeitar um valor mínimo estabelecido.
Durante a abordagem, o comerciante apresentou um documento relacionado à compra. Segundo a Polícia Militar, porém, o material não permitia identificar a marca do produto, o vínculo empresarial ou o CNPJ da empresa responsável pela venda.
Além dos galões de água, os policiais recolheram um rolo de fibra óptica, um notebook e ordens de serviço relacionadas à atividade de internet. Todo o material foi levado para a delegacia junto com os envolvidos.
A ocorrência agora está sob análise da autoridade policial, que deverá avaliar os depoimentos, os documentos e os materiais recolhidos para definir quais medidas serão adotadas. Até o momento, as suspeitas apuradas durante a operação ainda dependem de investigação e comprovação.
Para o 32º BPM, a ação busca enfrentar uma modalidade de pressão que pode atingir diretamente a rotina de moradores e comerciantes: a possível interferência de grupos criminosos na prestação de serviços, na atividade econômica e na liberdade de escolha dentro da comunidade.
O caso chama atenção porque a investigação não se limitou à presença de armas ou drogas. O foco também alcançou uma possível estrutura de controle sobre atividades que fazem parte do cotidiano da população, como acesso à internet e compra de produtos básicos.
Agora, a apuração deverá esclarecer se havia de fato uma determinação criminosa para controlar quais empresas poderiam prestar serviços e quais produtos poderiam ser comercializados na região, além de identificar a participação de cada pessoa envolvida.
