Parece um ataque cardíaco. A sensação é a de um ataque cardíaco. Mas não é. Um procedimento invasivo, entretanto, já está sendo realizado para verificar se há artérias obstruídas.
Um novo estudo internacional publicado na revista “European Heart Journal” sugere que pode haver uma maneira mais inteligente de lidar com a situação antes mesmo de os médicos recorrerem ao cateter. Pesquisadores desenvolveram uma ferramenta de diagnóstico chamada escore BioTAK — baseada em quatro medições sanguíneas e um fator (sexo) —, capaz de identificar a síndrome de Takotsubo (ou cardiomiopatia de Takotsubo), mais conhecida como a “síndrome do coração partido”, com alta confiabilidade antes da realização de uma angiografia coronária invasiva.
Em um número surpreendente de pacientes — especialmente mulheres — não há obstrução alguma. Em vez disso, eles apresentam uma condição na qual estresse ou emoção intensos fazem com que parte do coração pare de bombear normalmente.
A síndrome de Takotsubo responde por cerca de 1% a 4% dos pacientes que chegam com suspeita de ataque cardíaco, segundo o artigo. Diferenciá-la de um ataque cardíaco real — clinicamente conhecido como síndrome coronariana aguda — exige atualmente a análise do histórico psiquiátrico e neurológico do paciente, exames de imagem cardíaca repetidos e um procedimento invasivo para descartar a obstrução de artérias, num processo que demanda tempo e envolve riscos. Uma abordagem rápida, baseada em exames de sangue, poderia mudar a forma como os serviços de emergência lidam com esses casos.
Os pesquisadores envolvidos no estudo utilizaram dados de dois bancos de dados de pacientes suíços que se sobrepunham, combinando informações de 3.615 pessoas que deram entrada com um ataque cardíaco real ou com a síndrome de takotsubo. Amostras de sangue foram coletadas na chegada dos pacientes, antes de qualquer procedimento invasivo.
Os cientistas dividiram os pacientes em dois grupos. O primeiro, composto por 1.823 pessoas (1.754 com ataque cardíaco e apenas 69 com síndrome de takotsubo, refletindo a raridade da condição), serviu para a criação do escore (sistema de pontuação baseado em critérios clínicos, exames ou sinais vitais que serve para medir a gravidade de uma doença, calcular riscos ou orientar o tratamento de um paciente), com a análise de dezenas de marcadores sanguíneos para identificar aqueles mais relevantes. Um segundo grupo de 1.792 pacientes (1.715 casos de infarto e 77 de síndrome de Takotsubo) serviu como validação independente, testando se a ferramenta continuava eficaz em um conjunto de pessoas totalmente diferente.
Essa pontuação final, denominada BioTAK, baseia-se em cinco componentes: NT-proBNP, um marcador de estresse do músculo cardíaco; PAM, associado à constrição dos vasos sanguíneos e à resposta de ansiedade; sLOX-1, que reflete a instabilidade dos depósitos de gordura que obstruem as artérias; colesterol LDL, ou “colesterol ruim”; e o sexo do paciente, uma vez que a síndrome de Takotsubo afeta predominantemente as mulheres.
Esses cinco marcadores são eficazes porque a síndrome de Takotsubo e os infartos decorrem de processos biológicos distintos. Os infartos são geralmente causados pela ruptura de uma placa no interior de uma artéria, bloqueando o fluxo sanguíneo. Já a síndrome de Takotsubo envolve uma elevação súbita de hormônios do estresse e uma falha na comunicação entre os centros emocionais do cérebro e o coração, sem que haja obstrução arterial. Os pacientes com essa síndrome apresentaram maior sobrecarga cardíaca, perfil de colesterol mais favorável, níveis mais baixos de marcadores de instabilidade de placas e níveis mais elevados de enzimas associadas à ansiedade em comparação com os pacientes que sofreram infarto.
Saiba mais sobre a síndrome:
O quadro: ocorre uma alteração súbita no formato do ventrículo esquerdo, que perde força para bombear o sangue.
Sintomas: dor súbita e forte no peito, falta de ar, tontura, palpitações ou desmaios. Os sinais imitam perfeitamente os de um infarto agudo do miocárdio, mas sem obstrução grave nas artérias coronárias.
Nome japonês: Takotsubo vem da junção de duas palavras: tako (polvo) e tsubo (pote ou vaso).O termo foi escolhido em 1990 pelo médico japonês Hikaru Sato, que descreveu a síndrome pela primeira vez. Durante a fase aguda da doença, a base do ventrículo esquerdo do coração se contrai normalmente, mas o topo (ápice) se expande e fica paralisado.Esse formato arredondado com o pescoço estreito fica idêntico ao pote tradicional que os pescadores japoneses usam como armadilha para caçar polvos.
Causas comuns: luto, fim de relacionamentos, grandes sustos, brigas ou até surpresas felizes.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2026/09/novo-exame-de-sangue-pode-diferenciar-infartos-da-sindrome-do-coracao-partido.ghtml
Novo exame de sangue pode diferenciar infartos da 'síndrome do coração partido'
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