A Polícia Militar identificou pela primeira vez, nesta sexta-feira, o uso de carros-bomba por traficantes de drogas durante uma operação realizada no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Também foram encontradas barricadas explosivas no local. Os artefatos seriam acionados à distância quando as forças de segurança se aproximassem, conforme a corporação. A área é controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
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Em um vídeo publicado nas redes sociais, um policial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) mostrou o funcionamento do artefato. Os dispositivos não chegaram a ser utilizados.
— É um acionador remoto para dispositivo explosivo improvisado que permite detonar uma carga de explosivos à distância. Conectam-se (os polos) positivo e negativo nas terminações (do acionador), coloca-se (o equipamento) em um ponto específico e aciona-se (o explosivo) pelo controle remoto — explica o PM.
Segundo a corporação, os artefatos estavam colocados em diversos pontos do complexo de Israel. Os dispositivos mostrados no vídeo, que permitem o acionamento remoto dos explosivos, estavam inseridos em barricadas feitas com pneus de carro.
— Achamos cinco explosivos. Eles são incendiários e também podem lançar estilhaços que podem machucar pessoas que estiverem próximas. Não tem como precisar o raio de ação deles. Não é uma dinamite, mas, em um raio de 10 metros, pode machucar as pessoas e causar algum tipo de dano à integridade física. Quanto mais próximo, maior o dano — relata o major da Polícia Militar Maicon Pereira, porta-voz da corporação.
Policiais militares durante a operação no Complexo de Israel
Polícia Militar/X
Embora não tenha fornecido informações específicas sobre a composição dos explosivos encontrados na operação, oficial explica o funcionamento tradicional dos artefatos:
— Tem a parte detonante, com o cordel detonante que aciona o explosivo e o elemento explosivo. Normalmente, usa-se C4. Se for algo mais caseiro, utiliza-se pólvora. E, em volta da parte explosiva, colocam-se os estilhaços, como pregos, parafusos e materiais de metais, arremessados quando a carga detonante é explodida.
Para o escritor e especialista em segurança Alessandro Visacro, a adoção de novas táticas de combate demonstra uma expansão dos recursos do portfólio das organizações criminosas.
— Os grupos armados têm ampliado ao longo do tempo suas técnicas militares, e eles adquirem esse conhecimento, sobretudo, de forma empírica. O Rio de Janeiro vive um conflito urbano de baixa intensidade há muito tempo, e a gente se nega a admitir isso. E esses criminosos empregam técnicas que podem ser consideradas de terrorismo há longa data — avalia.
O major Pereira informa que a Polícia Militar já havia recebido informações de que poderiam ser encontrados carros-bomba.
— É uma técnica de guerrilha, e já somos preparados para isso. Então, não temos nenhum policial ferido, não atingiu a integridade física — afirma.
Alguns dos artefatos foram desarmados pela própria PM. Outros precisaram da ação do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil.
Em setembro do ano passado, dois policiais militares ficaram feridos por uma barricada com explosivos durante um patrulhamento na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, Zona Norte da capital. Os artefatos haviam sido colocados embaixo de cones de trânsito como armadilhas. Na ocasião, os agentes foram atingidos por estilhaços e uma viatura foi danificada.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/casos-de-policia/noticia/2026/08/traficantes-do-complexo-de-israel-usam-carros-bomba-e-barricadas-explosivas-contra-a-policia-entenda.ghtml
Traficantes do Complexo de Israel usam carros-bomba e barricadas explosivas contra a polícia; entenda
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