Rio testa modelo de integração policial que já prendeu 32 pessoas e apreendeu duas toneladas de drogas

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O Rio de Janeiro se tornou o primeiro estado a testar uma nova estratégia de integração entre forças de segurança para combater o crime organizado. A iniciativa reúne os governos federal e estadual e prevê o compartilhamento de informações, o reforço das operações policiais e a proteção de corredores usados para o transporte de mercadorias.

As primeiras ações já apresentam resultados. Segundo balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre o início de outubro e a última quarta-feira, foram realizadas 610 barreiras e operações de fiscalização, com quase mil cargas vistoriadas. As ações resultaram em 32 prisões, na apreensão de duas toneladas de drogas, na localização de 26 veículos roubados e na recuperação de mercadorias avaliadas em mais de R$ 1,5 milhão.

A parceria começou a ser estruturada em setembro, por meio de acordos entre o Ministério da Justiça e o governo fluminense. O objetivo é combater roubos de cargas e veículos, enfraquecer a atuação das organizações criminosas e desenvolver estratégias para recuperar áreas dominadas por facções.

 

Operações reforçam fiscalização em rodovias e vias expressas

As ações contam com a participação das polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar, além da Força Nacional. As equipes atuam principalmente em corredores importantes para o transporte de mercadorias, como a Avenida Brasil, as linhas Vermelha e Amarela e as rodovias BR-101, BR-116 e BR-040.

A primeira grande mobilização ocorreu em 6 de outubro, com a participação de 327 agentes e 121 viaturas. O trabalho inclui abordagens, fiscalização de veículos e análise de informações para identificar os locais e horários com maior incidência de crimes.

Um levantamento das forças de segurança também identificou esquemas de aliciamento de motoristas profissionais por quadrilhas especializadas em roubo de cargas. Em alguns casos, os criminosos convencem os próprios condutores a simular assaltos e facilitar a retirada das mercadorias, em uma prática conhecida como entrega consentida da carga.

As investigações também buscam identificar os responsáveis pela receptação dos produtos roubados e pela movimentação do dinheiro obtido com os crimes.

 

Polícia Federal terá atuação nas investigações

A Polícia Federal terá participação importante no modelo de cooperação, principalmente na investigação das organizações criminosas, no rastreamento de recursos financeiros e na identificação de patrimônios obtidos de forma ilegal.

A proposta também prevê apoio às ações de recuperação de territórios controlados por facções, com planejamento conjunto entre as instituições e respeito às atribuições de cada órgão.

O acordo de cooperação técnica número 5 de 2026 terá validade de 60 meses e estabelece mecanismos permanentes de articulação entre as forças de segurança. Outro acordo, de número 7, trata das estratégias de recuperação de territórios dominados pelo crime organizado.

 

Prefeitura vai contribuir com câmeras e tecnologia

A Prefeitura do Rio também participa da iniciativa, principalmente por meio de sistemas de monitoramento. A estrutura municipal permite cruzar imagens de câmeras de segurança com informações de órgãos públicos, além de utilizar equipamentos de leitura de placas para identificar veículos suspeitos e acompanhar deslocamentos.

A expectativa é que o compartilhamento dessas informações ajude a localizar automóveis usados em crimes, identificar suspeitos e tornar as operações policiais mais rápidas.

A iniciativa segue a proposta de integração entre União, estados e municípios prevista na PEC da Segurança Pública, que teve avanço no Senado na última semana.

 

Douglas Ruas promete ampliar integração e monitoramento

O governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL), afirmou que pretende dar continuidade aos acordos de cooperação entre as forças de segurança, apesar das diferenças partidárias entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em nota, Ruas classificou a aprovação da PEC da Segurança Pública como um avanço no combate ao crime organizado. Segundo ele, a integração entre União, estados e municípios é fundamental para enfrentar organizações criminosas que atuam em diferentes regiões do país.

Entre as medidas previstas para sua gestão estão a ampliação das câmeras de leitura de placas e dos sistemas de reconhecimento facial nas principais vias do estado. O futuro governador também pretende utilizar drones em operações de monitoramento e scanners para reforçar a fiscalização de cargas.

A proposta é manter a atuação conjunta das instituições e ampliar o uso de inteligência e tecnologia no enfrentamento ao crime organizado no Rio de Janeiro.



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/rio-testa-modelo-de-integracao-policial-que-ja-prendeu-32-pessoas-e-apreendeu-duas-toneladas-de-drogas/

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