Rio exerce protagonismo na invasão da política pelo crime organizado

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Bandeira do vereador Vaguinho Neguinho — Foto: Fabiano Rocha


Vereador em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Vagner Mateus dos Santos, o Vaguinho Neguinho, tentou se candidatar a deputado estadual pelo PRD, mas sua candidatura foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). Não é para menos. Ele tentou avisar o chefão local do Comando Vermelho (CV) sobre a visita de um candidato adversário à comunidade. “Não vai entrar”, respondeu o líder do narcotráfico de sua cela no Complexo Penitenciário de Gericinó. Da mesma penitenciária, outro traficante, da facção rival Terceiro Comando Puro (TCP), já havia aparecido no telão ao vivo num comício da eleição municipal de 2024 em Campos, no Norte Fluminense, para apoiar um candidato a vereador.

Infelizmente tais histórias se tornaram mais frequentes, como revela a série de reportagens “Tiro no pleito”, publicada pelo GLOBO. É alarmante a forma como facções criminosas e milícias tentam avançar seus domínios sobre partidos e Casas legislativas. A questão é nacional, mas o Rio assumiu protagonismo. De acordo com dados da Polícia Federal (PF), os inquéritos abertos para apurar corrupção e coação de eleitores quintuplicaram em oito anos. O Rio lidera o ranking, com 1.072 investigações, mais de 200 acima do Ceará, segundo colocado.

Em Macaé, no Norte Fluminense, a PF investiga se a viúva de um chefe da facção Amigos dos Amigos (ADA) comanda a campanha do grupo político do atual prefeito. Belford Roxo se tornou uma espécie de epicentro do envolvimento de grupos criminosos na política. A cidade deu origem à nova jurisprudência do TRE-RJ, em vigor desde a eleição de 2024, segundo a qual bastam indícios robustos para impugnar uma candidatura, e não mais condenação em segunda instância. Pelo menos dez candidatos foram barrados neste ano, a maioria ligados a milícias. Ainda assim, nomes barrados em 2024 continuam a atuar na atual campanha.

Base do CV, a cidade do Rio também se tornou refúgio de chefes de facções de outros estados. A favela da Rocinha abriga vários, que não têm pudor em pressionar de longe o eleitorado em favor de seus candidatos. Um dos líderes do tráfico de Santa Quitéria, Noroeste do Ceará, vive há mais de cinco anos no Rio, mas trabalhou nas eleições de 2024 por um candidato a prefeito por lá. Outros criminosos cearenses refugiados no Rio são acusados de ser mandantes de ataques à campanha de uma candidata de Sobral. O Complexo da Penha serve de abrigo a um traficante paraense acusado de ordenar ataques a tiros à casa de um candidato a vereador de Barcarena. Na Paraíba, os três últimos prefeitos de Cabedelo foram afastados por envolvimento com a Tropa do Amigão, ramificação local do CV cujo chefe rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Complexo do Alemão, de onde controla seus domínios por meio de uma rede de câmeras.

Tais histórias reforçam a necessidade de a Justiça Eleitoral agir preventivamente para barrar candidaturas suspeitas. Partidos políticos precisam ser vigilantes e, obviamente, o eleitor deve escolher bem seus candidatos.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/opiniao/editorial/coluna/2026/10/rio-exerce-protagonismo-na-invasao-da-politica-pelo-crime-organizado.ghtml

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