Evelyn Lopes dos Santos e Carlos Alexsandro da Silva de Oliveira foram presos por suspeita de envolvimento na morte da filhaDivulgação PCRJ
Os mandados de prisão foram cumpridos por policiais civis da 24ª DP (Piedade), em ação conjunta com a 17ª DP (São Cristóvão) , após um trabalho de investigação e inteligência para localizar o casal.
Segundo a Polícia Civil, testemunhas e moradores da região relataram ter ouvido com frequência gritos, ameaças, xingamentos e choros de crianças vindos da residência onde a família morava. Também foram relatados barulhos de impactos contra a parede que separava os apartamentos.
Ainda de acordo com as investigações, Ariella e o irmão, Enzo, teriam sido vistos anteriormente com apresentando sinais de lesões pelo corpo. A menina tinha hematomas e ferimentos visíveis, inclusive na região do rosto.
Morte da criança
Ariella morreu na madrugada de 19 de outubro de 2025. Segundo a investigação, os responsáveis teriam percebido que a criança não se movimentava por volta das 2h e só então buscaram ajuda de vizinhos, que auxiliaram no encaminhamento da menina ao Hospital Estadual Anchieta, no Caju.
A criança chegou à unidade em parada cardiorrespiratória. Durante o atendimento, os profissionais identificaram sinais de trauma e diferentes lesões, incluindo escoriações em processo de cicatrização, um abaulamento na região parietal direita e sangue coagulado na região auricular.
Apesar do atendimento, o óbito foi constatado por volta das 3h. O exame de necropsia e outros elementos médico-legais passaram a integrar a investigação. Segundo a polícia, algumas das lesões encontradas seriam compatíveis com ação violenta — e não com um impacto acidental de baixa intensidade.
Outros relatos de violência
As investigações também apontaram possíveis episódios de violência contra outros filhos do casal. Em um procedimento separado, Evelyn é investigada pela suspeita de ter queimado a mão do menino, então com 8 anos, utilizando uma colher aquecida. Segundo a apuração, posteriormente o menino teria sido impedido de frequentar a escola para evitar que a lesão fosse identificada.
Também foram reunidos relatos de que crianças da família permaneceriam desacompanhadas nas ruas e utilizariam transporte coletivo sozinhas. Os investigadores ainda apuram relatos de uso frequente de bebidas alcoólicas e entorpecentes pelos responsáveis.
Investigação
A Polícia Civil informou que a morte de Ariella passou a ser investigada em um contexto mais amplo de possíveis maus-tratos e violência reiterada contra as crianças da família.
Os investigadores também localizaram publicações feitas pela mãe nas redes sociais após a morte da menina, relacionadas a atividades sociais e consumo de bebidas. O conteúdo foi incluído no trabalho de levantamento de informações, mas, segundo a própria polícia, as postagens, isoladamente, não permitem determinar o estado emocional da investigada ou eventual ausência de remorso.
Acusados de tortura e homicídio qualificado, Evelyn e Carlos foram presos e encaminhados para os procedimentos de polícia judiciária. Eles permanecem à disposição da Justiça. Além desse caso, um inquérito apura o crime de tortura praticado, em tese, pelo casal contra outros dois filhos menores, um menino de 8 anos e uma menina de 2. A denunciada também seria mãe de outra criança, de 6 anos.
A reportagem O DIA não localizou a defesa do casal. O espaço segue aberto.
