De dobradinha do PL a ataques a Lula: veja em sete pontos como foi o debate ao Senado do Rio

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A dobradinha entre os candidatos do PL, os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a defesa do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) marcaram o debate entre candidatos às duas vagas do Rio de Janeiro no Senado, realizado na manhã desta quarta-feira. Promovido pelos jornais EXTRA, O Globo e Valor e pela rádio CBN, o encontro também teve discussões sobre violência contra as mulheres, segurança pública e castração química.
Participaram, no estúdio da redação do GLOBO, no Rio, a vereadora Mônica Benício (PSOL), os deputados federais Carlos Jordy (PL) e Marcelo Crivella (Republicanos), o vereador Marcos Dias (Podemos) e o senador Carlos Portinho (PL).
Veja abaixo os principais pontos do debate.
1. Dobradinhas da direita
Os candidatos do PL, Carlos Jordy e Carlos Portinho, aproveitaram o encontro para fazer uma dobradinha, reforçando posições em comum. Sorteado para fazer a primeira pergunta, Jordy escolheu o correligionário e abriu os ataques a Lula com uma crítica à declaração do presidente sobre exames de toque.
Durante um comício em Belém, na segunda-feira, o petista comentou a resistência de homens a procedimentos para detectar câncer de próstata e afirmou que mulheres “aprendem a tomar toque desde pequenas”. A fala vem sendo explorada por aliados de Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa pelo Planalto, que insinuam uma alusão a abusos sexuais.
No segundo bloco, Portinho voltou a dirigir uma pergunta a Jordy, desta vez sobre propostas para o equilíbrio entre os Poderes, citando supostos abusos cometidos pelo STF.
Crivella e Marcos Dias também fizeram uma dobradinha em alguns momentos do debate, inclusive ao defender a castração química para autores de abusos sexuais contra crianças. O candidato do Republicanos disse esperar que os dois sejam eleitos para retomar a proposta no Senado, enquanto Dias reforçou a identificação de ambos com a direita e o conservadorismo.
Assista ao debate na íntegra:
2. Ataques a Lula
A declaração de Lula sobre exames de toque foi justamente um dos temas utilizados pelos candidatos do PL para atacar o presidente e nacionalizar o debate. Jordy classificou a fala como “lamentável” e acusou Lula de promover a “normalização do abuso infantil”. Portinho, por sua vez, questionou o compromisso do petista com a defesa das mulheres.
Outro alvo de ataque foi a ala “Neoconservadores em conserva”, da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente em seu desfile no carnaval deste ano e fez alusão a famílias conservadoras em latas de conserva. Marcos Dias criticou a representação, tema também abordado por Portinho e Crivella.
Na área econômica, Jordy retomou críticas do candidato ao governo do Rio Douglas Ruas (PL) aos vetos de Lula ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), voltado à renegociação das dívidas estaduais. O deputado defendeu responsabilidade fiscal e atacou o que chamou de “política fiscal expansionista desastrosa” do governo federal.
Dias também criticou o Bolsa Família e programas sociais, que classificou como “bolsões de voto”.
3. Impeachment de ministros do STF
A relação entre o Senado e o Supremo entrou no debate no segundo bloco, quando Portinho perguntou a Jordy sobre propostas para reestabelecer o equilíbrio entre os Poderes. Os dois defenderam reformas no Judiciário e o impeachment de ministros, especialmente Alexandre de Moraes.
— O Supremo governa o Brasil em conluio com o Lula, cometendo crime de responsabilidade, crime de abuso de autoridade. Muito se fala em processo de impeachment, em especial do ministro Alexandre de Moraes, que é o maior protagonista dessa crise, uma pessoa que avançou o sinal vermelho há muito tempo, julgando pessoas sem foro e com a corrupção no Caso Master. É necessário que façamos resposta à população e façamos o impeachment do Alexandre de Moraes e de outros ministros que estejam envolvidos em desvios morais — afirmou Jordy.
No terceiro bloco, Jordy voltou ao assunto e questionou Crivella por ter dito que o impeachment não era sua prioridade. Em resposta, o candidato do Republicanos também defendeu o afastamento de Moraes e propôs que ministros do Supremo sejam submetidos a sabatinas a cada quatro anos.
4. Monica isolada
Única representante da esquerda no debate, Mônica Benício (PSOL) ficou diante de quatro adversários da direita ligados ao bolsonarismo. A ex-governadora Benedita da Silva (PT) e o deputado federal Pedro Paulo (PSD), que também integra a coligação de apoio a Lula, foram convidados, mas não confirmaram presença.
A candidata foi provocada por Portinho durante os ataques à declaração do presidente sobre exames de toque. O senador citou a atuação de Mônica em defesa das mulheres e disse acreditar que ela também teria se espantado com a fala de Lula, mas ela não teve direito à resposta.
Ao longo do encontro, Mônica contrapôs as propostas de endurecimento penal dos adversários com a defesa de medidas de prevenção à violência, educação e investimentos em políticas públicas. Também questionou candidatos do PL sobre a proteção de mulheres e meninas.
Nas considerações finais, a vereadora pediu votos para Benedita, sua aliada na disputa pelas duas vagas do estado no Senado.
5. Pauta de costumes
Pautas como castração química e aborto também entraram no debate. Questionado por Crivella sobre a adoção da castração química para autores de abusos sexuais contra crianças, Marcos Dias se declarou favorável à medida e defendeu o endurecimento das leis para prevenir a violência.
Crivella afirmou ter apresentado uma proposta sobre o tema quando era senador e atribuiu à oposição da esquerda o fato de ela não ter sido aprovada. Os dois defenderam retomar a discussão no Congresso. Dias aproveitou para reafirmar suas posições conservadoras e criticar a esquerda por pautas como aborto e saídas temporárias de presos.
Mônica, por sua vez, questionou Portinho sobre iniciativas do PL que, segundo ela, dificultam o acesso de meninas vítimas de estupro ao aborto legal. A candidata cobrou medidas preventivas e a garantia dos direitos de mulheres e crianças. Na resposta, o senador enfatizou a participação dos homens no enfrentamento à violência e o papel da família e da igreja na educação, sem responder diretamente sobre o aborto.
Os dois também divergiram sobre a responsabilidade pela formação dos jovens. Mônica defendeu a educação como dever do Estado, além da família, enquanto Portinho atribuiu a educação ao ambiente doméstico. Ao final, o senador sugeriu a retomada de aulas de educação moral e cívica nas escolas.
6. Segurança pública
O debate também foi palco para os candidatos apresentarem suas propostas para a segurança pública. O tema da redução da maioridade penal foi abordado, opondo Jordy e Mônica. O deputado defendeu a medida ao citar crimes graves cometidos por adolescentes e criticar as punições previstas para esses casos.
A candidata, por sua vez se declarou contrária e argumentou que ampliar o encarceramento deixaria jovens negros, de favelas e periferias ainda mais vulneráveis ao recrutamento pelo crime organizado. Mônica defendeu investimentos em saúde, educação, cultura e oportunidades de trabalho como caminhos para prevenir a violência. Também criticou uma atuação estatal concentrada em operações armadas nas favelas, sem a oferta de serviços públicos à população.
Em outro momento, Marcos Dias relatou que perdeu o irmão, assassinado com um tiro na cabeça, e perguntou à candidata, viúva de Marielle Franco, sobre suas propostas para a segurança. Mônica afirmou ter sido vítima da violência do Estado e destacou que o assassinato da companheira foi um crime político que expôs relações entre milícia, polícia e política institucional. Dias defendeu a integração das forças de segurança e o uso de inteligência para atingir as fontes de financiamento do crime.
Portinho voltou a defender a classificação de facções como organizações narco terroristas, penas mais duras para roubo de celulares e restrições à progressão de pena de líderes criminosos. O senador também ressaltou a importância de veículos blindados para proteger policiais, enquanto Dias enfatizou apoio psicológico e remuneração adequada para os agentes.
7. Troca de farpas
Marcos Dias e Carlos Portinho trocaram farpas após o candidato do Podemos questionar a coerência entre discurso e prática na política. Em resposta, o senador do PL defendeu sua trajetória e citou iniciativas de seu mandato, como o marco legal das startups e medidas para ampliar programas sociais e reduzir o preço dos combustíveis durante o governo Bolsonaro.
Na réplica, Dias criticou o fato de Portinho ter chegado ao Senado como suplente de Arolde de Oliveira e o acusou de exonerar a equipe do antecessor ao assumir o mandato. Também afirmou que o senador havia desqualificado suas chances eleitorais nas redes sociais, apesar de ter declarado voto nele em um áudio. Dias disse ter publicado os registros em seu perfil e cobrou respeito à sua candidatura.
Ao retomar o confronto no bloco seguinte, Portinho disse ter se surpreendido com a acusação e afirmou que costuma discutir políticas públicas, sem entrar em embates pessoais. O senador citou sua atuação como relator de um projeto sobre a retirada de barricadas e perguntou ao adversário quais eram suas propostas para a segurança pública. Antes de responder, Dias reiterou que havia divulgado os registros nas redes.
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Com informações da fonte
https://extra.globo.com/politica/noticia/2026/09/de-dobradinha-do-pl-a-ataques-a-lula-veja-em-sete-pontos-como-foi-o-debate-ao-senado-do-rio.ghtml

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