A Fifa priorizou receitas recordes em detrimento dos direitos humanos durante a Copa do Mundo de 2026, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (13) pela Sport & Rights Alliance. A organização aponta falhas na proteção de torcedores, jornalistas e profissionais no torneio realizado nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
De acordo com o documento, a entidade do futebol deixou grande parte da prevenção e da resposta a possíveis violações nas mãos dos governos e de autoridades locais. Faltaram, segundo a avaliação, fiscalização eficaz, orientações claras, recursos e mecanismos de responsabilização.
O relatório afirma que exigências para concessão de vistos, restrições de entrada e interrogatórios prolongados nas fronteiras dificultaram o deslocamento de participantes. Os obstáculos atingiram especialmente cidadãos de países submetidos a políticas migratórias mais restritivas, inclusive com seleções classificadas.
Em entrevista à Reuters, a diretora-executiva da organização, Andrea Florence, disse que os compromissos assumidos pela Fifa não se traduziram em ações suficientes. A federação adotou uma política de direitos humanos em 2017 e estabeleceu compromissos específicos para o Mundial.
A Sport & Rights Alliance também criticou a concessão do primeiro Prêmio da Paz da Fifa ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante dos questionamentos sobre as políticas migratórias do país.
Fifa defende sua atuação
Em resposta escrita obtida pela Reuters, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, reconheceu que o levantamento apresenta preocupações importantes e identifica áreas que precisam avançar. Defendeu, porém, que a avaliação considere o relatório de direitos humanos e sustentabilidade que a própria entidade publicará, com informações adicionais sobre as medidas adotadas.
Em nota, a Fifa afirmou ter orgulho dos resultados da competição e reafirmou seus compromissos com governança e direitos humanos.
A Sport & Rights Alliance recomenda fiscalização independente, maior transparência e consequências para eventuais violações. Para a organização, a próxima eleição presidencial da Fifa e a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, representam oportunidades para fortalecer a proteção dos participantes desde o planejamento dos torneios.
