Festival do Rio, patrimônio cultural do estado, mostra potencial na indústria audiovisual

Boletim RJ
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Em entrevista à Alerj, diretora-executiva do evento destaca potencial econômico e criativo do Rio e defende parcerias com poder público para atrair produções e levar filmes fluminenses ao exterior. Foto: Divulgação

O Rio de Janeiro não é apenas cenário de cinema. As paisagens há décadas ganham as telas, mas o estado também é palco de uma cadeia audiovisual que movimenta profissionais, produções e investimentos. “Além de ser amado pela sua beleza natural, o Rio tem grande poder econômico e criativo”, resume a diretora-executiva do Festival do Rio, Ilda Santiago. Declarado Patrimônio Cultural do Estado pela Lei 10.440/24, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o evento encerra sua 28ª edição neste domingo (11/10), após 11 dias de programação e mais de 350 títulos nacionais e internacionais.

Entre estreias, mostras competitivas e sessões especiais, o festival transforma a capital fluminense em uma vitrine para produções brasileiras e estrangeiras. Somente a Première Brasil, principal mostra dedicada ao cinema nacional, selecionou 110 filmes nesta edição, entre longas e curtas, após receber quase 1,5 mil inscrições. Destes, 45 disputam o Troféu Redentor, principal premiação do evento.

Para garantir que o Estado do Rio seja mais atraente para filmagens e produções de fora, Ilda Santiago defende a parceria entre a indústria e o poder público. Segundo ela, o olhar político também permite que os profissionais do audiovisual tenham as ferramentas para impulsionar a cultura fluminense. “Temos que trabalhar nas políticas capazes de incentivar a vinda de produções para o Rio, mas, principalmente, poder ajudar os nossos filmes a saírem daqui para ganhar o mundo”, afirma.

O potencial do cinema fluminense já foi comprovado com o filme “Ainda Estou Aqui”, filmado no Rio de Janeiro com direção do carioca Walter Salles. O longa, baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, se transformou em uma das maiores obras-primas contemporâneas do cinema nacional e fez história ao vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional – a primeira estatueta brasileira.

Ilda Santiago também celebra as iniciativas que dão visibilidade à produção local e já representam o esforço fluminense em se tornar mais competitivo nessa indústria. Desde setembro, o Estado conta com a Política de Incentivo à Atração de Produções Audiovisuais, instituída pela Lei 11.308/26. A norma, criada na Alerj, prevê ações de incentivo e apoio a obras realizadas total ou parcialmente em território fluminense, com o objetivo de atrair produções e estimular o desenvolvimento da cadeia audiovisual.

Na outra ponta da cadeia, fazer com que os filmes cheguem ao público também ganhou uma política própria. A Lei 11.298/26, sancionada em agosto, criou o Programa de Acesso Audiovisual, voltado a ampliar o contato da população fluminense com obras audiovisuais, especialmente brasileiras. Entre os públicos contemplados pela norma estão estudantes, jovens, cineclubes, produtores independentes, realizadores, agentes culturais e artistas.

Cinema também é emprego
Para quem está diante das câmeras, fortalecer essa cadeia significa também ampliar oportunidades para os profissionais que trabalham longe delas. A atriz carioca Ana Carbatti, protagonista de “Oceânico”, de Guilherme Coelho, fez sua estreia mundial na Première Brasil do Festival do Rio deste ano e defendeu que a mão-de-obra também deve ser olhada pelo poder público. Em conversa com a Alerj, ela chamou atenção para o número de trabalhadores envolvidos na realização de uma única obra.

“A relevância do cinema fluminense começa pela coisa básica, que é a empregabilidade. A quantidade de pessoas que trabalham na elaboração de um filme é um mundo de gente. Então, você começa a fazer o dinheiro girar”, afirma. Na avaliação da atriz, ampliar os investimentos também pode permitir que produções menores consigam romper barreiras de circulação.

Palácio Guanabara como cenário
O Palácio Tiradentes, sede histórica da Alerj, abrigou muitas produções cinematográficas nos últimos anos. A Diretoria de Cultura da Casa listou mais de 25 produções de áudio visual, entre filmes, séries, novelas e documentários realizados nos últimos 25 anos. Na lista estão produções como “Getúlio”, “Tropa de Elite 2”, “Arcanjo Renegado”, “Os Mercenários”, entre outros.

Em 19 de junho, quando se comemorou o Dia do Cinema Brasileiro, a equipe do Palácio realizou um roteiro de visitação que contou a história das produções que fizeram do Tiradentes um verdadeiro blockbuster na cenografia nacional.

Democratização da cultura
O aumento de produções de cinema deve encontrar respaldo no incentivo ao consumo de cultura – e a ampliação do acesso às telas também aparece na programação do próprio Festival do Rio. Nesta edição, o evento chegou a 28 salas e espaços de exibição, com iniciativas gratuitas em diferentes regiões da capital e região metropolitana. Uma delas é o Cinema Circulação, que leva filmes sem cobrança de ingresso a equipamentos culturais no Centro e nas zonas Norte e Oeste.

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