A situação financeira pessoal melhorou durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na comparação com a gestão de Jair Bolsonaro (PL), segundo 43% dos brasileiros. Entretanto, quando a avaliação considera a economia do país como um todo, 44% afirmam que o cenário nacional piorou. Os dados fazem parte da 17ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta terça-feira (13).
O levantamento, realizado entre os dias 10 e 12 de outubro, revela uma diferença entre a maneira como os eleitores enxergam o próprio orçamento e a percepção sobre o desempenho econômico brasileiro. Os resultados também mostram que essas avaliações estão fortemente relacionadas às preferências eleitorais no segundo turno da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
Na comparação com o governo anterior, 43% dos entrevistados afirmam que sua condição financeira está muito melhor ou um pouco melhor. Outros 32% dizem que a situação piorou, enquanto 21% não perceberam mudanças. Os que não souberam ou não responderam representam 4%.
O resultado indica uma vantagem de 11 pontos percentuais para a percepção de melhora das finanças pessoais em relação à de piora.
Economia do país tem avaliação mais negativa
A percepção muda quando os entrevistados são questionados sobre a situação econômica brasileira em comparação com o governo Bolsonaro, encerrado em dezembro de 2022.
Nesse caso, 44% consideram que a economia está pior sob a atual administração, enquanto 38% avaliam que houve melhora. Outros 13% afirmam que o cenário permanece igual, e 5% não souberam ou não responderam.
A diferença de seis pontos percentuais entre as avaliações negativas e positivas supera a margem de erro de dois pontos percentuais informada pela pesquisa.
O contraste também aparece na avaliação do momento econômico atual, sem comparação direta com o governo anterior.
Ao analisar a própria situação financeira, 34% dos entrevistados a classificam como ótima ou boa. Outros 45% consideram regular, enquanto 20% dizem que está ruim ou péssima.
Já a economia brasileira recebe uma avaliação consideravelmente mais negativa: 51% a classificam como ruim ou péssima, 31% como regular e apenas 17% como ótima ou boa.
Os números mostram que os entrevistados tendem a avaliar a situação econômica nacional de forma mais desfavorável do que as próprias condições financeiras.
Percepção econômica influencia intenção de voto
O levantamento também cruzou as avaliações econômicas com as intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Entre os brasileiros que afirmam estar financeiramente melhor durante o governo Lula, 77% declaram voto no presidente, enquanto 19% preferem Flávio Bolsonaro.
O cenário se inverte entre aqueles que consideram ter perdido poder financeiro na atual gestão. Nesse grupo, 86% manifestam apoio a Flávio Bolsonaro e apenas 9% dizem votar em Lula.
Entre os entrevistados que não perceberam mudanças na própria condição financeira, o candidato do PL aparece com 48% das intenções de voto, contra 39% do presidente.
A divisão é ainda mais acentuada quando a pergunta considera a economia brasileira.
Entre os eleitores que avaliam que o país melhorou economicamente sob Lula, 84% pretendem votar no petista, enquanto 14% escolhem Flávio Bolsonaro.
No grupo que considera a economia nacional pior, 85% apoiam o candidato do PL e 9% declaram voto no atual presidente.
Já entre os que enxergam estabilidade econômica na comparação com o governo anterior, Lula registra 53% das intenções de voto, contra 28% de Flávio.
Os resultados mostram uma associação expressiva entre a avaliação da economia e a preferência eleitoral, embora o levantamento não permita concluir que a percepção econômica seja, isoladamente, a causa da escolha dos candidatos.
Maioria acredita em melhora nos próximos seis meses
Apesar das avaliações negativas sobre o momento econômico brasileiro, a pesquisa identifica expectativas predominantemente otimistas para os próximos seis meses.
Quando questionados sobre o futuro das próprias finanças, 51% dos brasileiros acreditam que sua situação vai melhorar muito ou um pouco.
Outros 29% esperam que as condições financeiras permaneçam iguais, enquanto apenas 7% projetam piora.
Em relação à economia nacional, o otimismo é ainda maior: 54% dos entrevistados acreditam que o cenário brasileiro vai melhorar nos próximos seis meses.
A expectativa de estabilidade é compartilhada por 17%, enquanto 12% acreditam em deterioração das condições econômicas.
Os percentuais divulgados para essas duas perguntas não totalizam 100%, pois as informações fornecidas não discriminam todas as respostas restantes.
A combinação de avaliações críticas sobre o presente e expectativas favoráveis para o futuro revela um eleitorado que, embora insatisfeito com diferentes aspectos da economia, ainda demonstra confiança na possibilidade de recuperação.
Pesquisa ouviu mais de 2 mil eleitores em todo o Brasil
A 17ª rodada da pesquisa BTG/Nexus foi realizada pela Nexus entre os dias 10 e 12 de outubro de 2026, por meio de entrevistas telefônicas com auxílio de computador, metodologia conhecida como CATI.
Foram ouvidos 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, distribuídos pelas 27 unidades da Federação.
O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07997/2026.
