Responsável por localizar o esconderijo das 48 toneladas de maconha apreendidas no Complexo da Maré, na maior apreensão de drogas da história do país, em abril deste ano, o pastor-belga malinois Hulk, de cinco anos, entrou para a história da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nesta quinta-feira (18/06), ao se tornar o primeiro animal a receber a Medalha Tiradentes, maior honraria concedida pelo Parlamento fluminense. A homenagem foi proposta pelos deputados Rodrigo Amorim (PL), Marcelo Dino (PL) e Sara Pôncio (SDD).
Na mesma solenidade, o vereador do Rio Rogério Amorim (PL) concedeu a Medalha São Francisco de Assis – 3º Milênio ao sargento Wildemar, condutor do Hulk, além de entregar moções de aplausos a policiais militares do Batalhão de Ação com Cães (BAC) que participaram da operação realizada no Complexo da Maré.
“Tivemos um recorde histórico mundial da maior apreensão de drogas protagonizada por um cão policial. Estou muito honrado em estar aqui para entregar a maior comenda do estado”, destacou o deputado Rodrigo Amorim.
Aos cinco anos de idade, Hulk construiu praticamente toda a sua trajetória dentro do BAC. Ele chegou ainda filhote à unidade, por meio de uma doação, e desde então passou a ser treinado para operações de detecção de armas e drogas pelo sargento Wildemar, formando com ele o chamado binômio homem-cão.

“O Hulk é um cão muito bom. Eles formam o que a gente chama de binômio homem-cão. Trabalham há muito tempo juntos e conseguem entender o que o outro está querendo”, destacou o 2º tenente González, chefe da Seção de Comunicação Social do BAC e comandante da tropa na ocorrência histórica no Complexo da Maré.
Apesar de ter ganhado notoriedade nacional após a apreensão histórica realizada em abril deste ano, a trajetória do cão vai muito além desse episódio. Segundo os policiais do BAC, Hulk já participou de outras grandes apreensões e, ao longo da carreira, já ultrapassou a marca de 50 toneladas de drogas localizadas.
Além do desempenho nas operações, Hulk vai deixar outro legado dentro do batalhão. O potencial para as ações fez com que ele fosse incluído no programa de melhoramento genético da corporação. Atualmente, ele já possui filhos e netos integrando o plantel da unidade.
Hulk ainda tem uma longa trajetória pela frente. Mas, quando chegar a aposentadoria, prevista para os oito anos de idade, ele já tem destino certo. O cão deixará as operações para viver uma vida de pet com o sargento Wildemar, parceiro de todas as missões e responsável por seu treinamento desde filhote. Depois de anos dividindo as ruas e as conquistas, homem e cão continuarão juntos, desta vez longe das ocorrências policiais.
Especialização e expansão
Fundado há 66 anos, o BAC é referência nacional em operações com cães policiais e conta atualmente com 77 animais na unidade de Olaria, além de uma segunda companhia instalada em Macaé, com 11 cães. Uma terceira companhia, em Volta Redonda, está em fase final de implantação e deve ser inaugurada no segundo semestre deste ano.

Os cães atuam em diversas frentes, como detecção de armas e drogas, busca e localização de pessoas desaparecidas, detecção de explosivos, controle de tumultos, apoio ao Bope em ocorrências com reféns e operações em comunidades.
Por trás do trabalho dos animais está a formação especializada dos mais de 300 policiais militares que atuam no batalhão. O ingresso ocorre por meio de cursos específicos de condução e adestramento, além de capacitações voltadas para o faro de armas e drogas.
Recentemente, a unidade passou a oferecer também o curso de Atendimento Pré-Hospitalar Tático para cães, destinado a preparar os agentes para prestar os primeiros socorros aos animais feridos durante operações.
“Embora qualquer policial habilitado possa conduzir os cães, o treinamento constante permite que os condutores interpretem sinais muitas vezes imperceptíveis, fundamentais para o sucesso das missões”, pontua Gonzalez.
Cães que servem amor
Além do trabalho operacional, o batalhão mantém uma frente voltada para o atendimento social por meio da cinoterapia. Coordenada pela primeira-tenente veterinária Vivian, a equipe utiliza cães treinados para auxiliar crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), idosos com Parkinson e outros pacientes em processos de reabilitação.
Atualmente, o serviço é oferecido no Centro de Pediatria e Reabilitação da Polícia Militar, para dependentes do Fundo de Saúde da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (Fuspom), e também em ações realizadas no 22º BPM, na Maré; no 32º BPM, em Macaé e em parceria com a Prefeitura de Maricá.
A equipe é formada pelos labradores Bela, Sky e Milky, e em breve ganhará um novo integrante, Belo. A cadela Bela está prenha de nove filhotes, alguns dos quais deverão ser destinados ao trabalho terapêutico.
“Os cães da cinoterapia têm uma missão diferente: servir amor”, resumiu a veterinária responsável pela equipe.
Da maior apreensão de drogas da história do país ao auxílio a crianças e idosos, o trabalho desenvolvido pelo Batalhão de Ação com Cães vai além das operações e traduz, de forma exemplar, o lema da Polícia Militar: “Servir e proteger”.













Galeria com fotos da Alerj e Ramon Marques


