Jéssica Duarte Gonçalves, de 28 anos, deu entrada no dia 8 no Hospital Maternidade Mariska RibeiroDivulgação
Em trabalho de parto, Jéssica chegou a pedir que fosse realizada uma cesariana, mas, segundo familiares, o pedido não foi atendido. A jovem deu à luz na tarde daquele mesmo dia. A criança nasceu saudável, mas Jéssica começou a sentir fortes dores no abdômen logo depois.
Durante a noite, de acordo com Jhonatan, um profissional de plantão foi até o quarto da paciente e, diante das reclamações, teria realizado, com as mãos, a retirada de coágulos de sangue que estavam no interior do corpo da jovem. Ao longo das horas, diversos profissionais da unidade foram informados sobre as fortes dores de Jéssica. Segundo a família, quando questionados sobre o quadro da paciente, os profissionais diziam que se tratava de gases e prescreviam dipirona.
Em entrevista ao O DIA, Andrea Cristina Vieira, de 49 anos, sogra de Jéssica, contou que um dos médicos chegou a dizer ao filho que o hospital tinha, naquele momento, apenas dipirona para oferecer à paciente.
Jéssica permaneceu internada até o dia 10 de setembro, quando recebeu alta, mesmo ainda sentindo dores no abdômen. No entanto, seu estado de saúde piorou e ela precisou retornar ao Hospital Maternidade Mariska Ribeiro no mesmo dia, já em situação mais grave.
A paciente foi atendida às pressas, estabilizada e, posteriormente, levada ao centro cirúrgico e intubada na própria unidade. Em seguida, foi encaminhada, em estado grave, para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo.
“No Mariska Ribeiro, os médicos correram com ela, com mais de quinze médicos em volta dela, foi uma correria danada e ninguém sabia de nada. Eu fui pro hospital, quando eu cheguei lá, eles tinham envolvido ela em uma manta térmica e a estabilizaram. Foi quando eu perguntei: ‘eu quero saber o que que ela tem’. E eles dizem achar que era uma sepse, ou seja, infecção generalizada. Foi então que começamos a questionar por que não tinham feito nenhum exame nela antes de darem alta. Questionei também sobre a placenta, onde estava, o que fizeram, mas ninguém sabia dizer”, relata a sogra de Jéssica.
No Albert Schweitzer, diante da gravidade do quadro, Jéssica precisou ser levada ao centro cirúrgico para uma cirurgia de emergência. Segundo Andrea, durante o procedimento, os médicos teriam identificado algo que possivelmente havia sido deixado no corpo da jovem após o parto. A família acredita que esse material tenha provocado uma infecção grave e contribuído para a necrose de órgãos.
Ainda de acordo com Andrea, os profissionais do Albert Schweitzer não receberam o histórico completo da paciente e não sabiam, inicialmente, o que havia acontecido durante o parto. “Mesmo assim, eles fizeram uma cirurgia e ela ficou dois dias com a barriga aberta sem poder fechar, com os órgãos expostos, com a barriga aberta e muito inchada. Foi então que os médicos disseram que ela por dentro tinha alguns órgãos comprometidos, e tomados por uma infecção. O útero dela estava necrosado. Os profissionais do segundo hospital não souberam identificar o que eles esqueceram dentro dela. Foi isso que a médica falou”, lembra Andrea.
Este foi o terceiro parto normal de Jéssica. Ela já era mãe de outras duas crianças, de 9 e 4 anos. Agora, deixa também uma bebê recém-nascida, que está sob os cuidados do pai e da avó.
O corpo de Jéssica será sepultado nesta quarta-feira (16), às 11h15, no Cemitério do Murundu, em Realengo. O velório terá início às 9h.
Em nota, a direção do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro lamentou o falecimento de Jéssica e informou que está revisando todo o atendimento prestado à Jéssica.
Ainda de acordo com a direção do hospital, ela retornou à maternidade com sinais de atonia uterina, quando o útero não se contrai adequadamente após o parto. “Foi transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, onde passou por cirurgia e recebeu cuidados intensivos na UTI, mas não resistiu”, completou.
