Dois anos depois de Flamengo e Fluminense assinarem o contrato de concessão do Maracanã, a gestão do complexo enfrenta questionamentos em duas frentes. O consórcio formado pelos clubes foi multado em R$ 401,2 mil por problemas na comprovação da manutenção do estádio e também é alvo de um inquérito civil que apura suspeitas de superlotação em partidas.
A concessão por 20 anos foi assinada em setembro de 2024 com o governo do Rio. Flamengo e Fluminense, que já administravam o estádio desde 2019 por contratos temporários, criaram a Fla-Flu Serviços para operar o Maracanã e o Maracanãzinho.
A concessionária informou que não vai se manifestar sobre os questionamentos, mas apresentou recurso contra a multa.
Relatório aponta falhas na manutenção
Um verificador independente identificou falhas na gestão da manutenção do complexo em 2025. Segundo o relatório, faltariam cronogramas adequados e comprovação técnica suficiente da execução de determinados serviços, envolvendo sistemas elétricos, drenagem, limpeza e conservação, entre outros.
Após analisar o relatório, o governo estadual aplicou multa de R$ 401.217,48. O pagamento está suspenso enquanto o recurso administrativo apresentado pelo consórcio é analisado.
A Fla-Flu Serviços contesta as irregularidades e afirma ter apresentado documentos, relatórios técnicos, registros fotográficos e informações de empresas especializadas para comprovar os serviços realizados.
MP investiga suspeita de superlotação
A gestão do Maracanã também é investigada pelo Ministério Público do Rio. Um inquérito civil aberto no fim de agosto apura possíveis casos de superlotação em jogos de Flamengo e Fluminense.
Segundo a investigação, partidas realizadas entre dezembro de 2025 e agosto deste ano apresentam indícios de que o número de ingressos emitidos para determinados setores possa ter ultrapassado a capacidade prevista.
Uma das partidas analisadas é Flamengo x Ceará, pelo Campeonato Brasileiro de 2025. O jogo da celebração do título brasileiro rubro-negro recebeu 73.244 pessoas e estabeleceu o recorde de público do Maracanã desde a reforma para a Copa do Mundo de 2014.
O Ministério Público enviou ofícios aos clubes, à Polícia Militar e às empresas responsáveis pela comercialização das entradas para comparar o número de ingressos emitidos com os efetivamente utilizados.
As respostas são aguardadas até o fim da semana. O inquérito ainda está em andamento e, até o momento, não há conclusão de que tenha ocorrido superlotação.
