O Ministério Público Eleitoral (MPE) deu parecer favorável à candidatura de Márcio Canella (União) para deputado estadual nas eleições de 2026. A manifestação foi apresentada nesta quinta-feira (03/09), no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), e pede a rejeição das quatro ações que tentam impedir o registro da candidatura.
Segundo a procuradora Marylucy Santiago Barra, embora decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) admitam a possibilidade de barrar candidaturas em casos de ligação comprovada com organizações criminosas, não foram apresentadas provas suficientes que relacionem Canella a esses grupos.
O MPE considerou que parte das acusações apresentadas pelos adversários se baseia em notícias e relatos que, segundo a Procuradoria, não possuem comprovação suficiente nos autos.
Entre os argumentos usados nas ações está a prisão preventiva de Canella durante a Operação Unha e Carne. Na ocasião, a Polícia Federal encontrou um fuzil em um dos veículos usados pelo então ex-prefeito. A defesa afirmou que a arma pertencia ao Estado e estava legalmente sob responsabilidade de um policial militar que fazia a escolta de Canella.
O ex-prefeito chegou a usar tornozeleira eletrônica e teve o passaporte apreendido, mas essas medidas cautelares foram posteriormente revogadas ou alteradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ex-secretários também foram citados nas ações
As ações de impugnação também mencionaram dois ex-secretários da Prefeitura de Belford Roxo, Eduardo Araújo e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, conhecido como Fabinho Varandão. Os dois tiveram os registros de candidatura negados pela Justiça Eleitoral por envolvimento com milícia.
A defesa de Canella argumentou que os dois já faziam parte da administração municipal antes de sua gestão e que foram exonerados depois que a Justiça Eleitoral confirmou o indeferimento de suas candidaturas.
MPE mudou entendimento
O novo parecer representa uma mudança na posição do Ministério Público Eleitoral. Em agosto, quando as ações foram apresentadas, a Procuradoria havia pedido mais informações sobre as certidões criminais de Canella e sobre a investigação da Operação Unha e Carne, que tramita sob sigilo no STF.
Após analisar os documentos disponíveis, o MPE afirmou que não teve acesso ao conteúdo completo da investigação no Supremo e concluiu que não existem, até o momento, elementos suficientes para comprovar uma ligação de Canella com organização criminosa.
Com isso, a Procuradoria passou a defender o registro da candidatura e a rejeição das quatro ações de impugnação.
A decisão final agora cabe ao TRE-RJ, que vai analisar o pedido de registro de Márcio Canella para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
