A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (17), a Operação Faixa Amarela para investigar suspeitas de fraude na licitação do transporte escolar da Prefeitura de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A apuração envolve possíveis desvios de recursos públicos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro.
Os agentes cumprem 12 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em Duque de Caxias. As ordens foram expedidas pela Justiça Federal.
Segundo a PF, as possíveis fraudes teriam começado em 2020 e os contratos foram renovados sucessivamente. Somente nos três primeiros anos, os valores envolvidos ultrapassaram 62 milhões de reais.
A investigação aponta para uma possível atuação coordenada entre empresários, funcionários públicos e terceiros. Entre as suspeitas estão superfaturamento de licitações, desvio de dinheiro público e movimentações financeiras que teriam sido utilizadas para o pagamento de vantagens indevidas e para ocultar a origem dos recursos.
A apuração começou a partir de informações encontradas em um celular apreendido durante a Operação Anáfora, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro proveniente de desvios de recursos da Prefeitura de Duque de Caxias.
A Operação Anáfora teve uma primeira fase em setembro de 2022 e outra em junho deste ano. Na investigação, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União apuraram suspeitas de favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria Municipal de Saúde. O contrato e seus aditivos ultrapassaram 563 milhões e 500 mil reais em pouco mais de dois anos.
Na primeira fase da Anáfora, Washington Reis, então ex-prefeito de Duque de Caxias e candidato a vice-governador do Rio na chapa de Cláudio Castro, foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão.
Já na segunda etapa, realizada em junho, foram cumpridos 14 mandados. Durante a operação, agentes encontraram 450 mil reais escondidos sob um sofá, em uma empresa ligada ao principal alvo da investigação, em Xerém.
Os fatos investigados na Operação Faixa Amarela podem configurar, segundo a Polícia Federal, crimes de organização criminosa, fraude em licitação, peculato e lavagem de dinheiro. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e dimensionar o eventual prejuízo aos cofres públicos.
