A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (3), a quinta fase da Operação Unha e Carne para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses ilegais a agentes públicos dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.
Ao todo, estão sendo cumpridos três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, o pastor e empresário Márcio Poncio, o deputado estadual Rodrigo Bacellar e o advogado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Contra Marco Antônio foi expedido apenas mandado de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da investigação começou após a apreensão de listas na residência de Adilsinho. Os documentos conteriam nomes de políticos de diferentes partidos e registros que podem indicar pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro.
A principal linha de investigação busca esclarecer se recursos oriundos da organização criminosa foram utilizados para a compra de influência junto a agentes políticos.
Quem são os investigados
Márcio Poncio é pastor, empresário do setor de tabaco, pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade) e do cantor Saulo Poncio. Nas redes sociais, costuma destacar sua atuação religiosa e empresarial.
Marco Antônio Cabral é advogado, ex-deputado federal e ex-secretário estadual de Esporte. Filho do ex-governador Sérgio Cabral, é pré-candidato a deputado estadual pelo Solidariedade e já exerceu função na Presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Em nota, a advogada Patrícia Proetti afirmou que Marco Antônio Cabral nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de recursos de origem ilícita.
Já Adilsinho é apontado pelas autoridades como um dos principais nomes da atual cúpula do jogo do bicho no estado e investigado por controlar a produção e a distribuição de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio, além de expandir suas atividades para outros estados. Ele foi preso em fevereiro deste ano durante uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco/RJ).
Rodrigo Bacellar, que já responde a investigações decorrentes das fases anteriores da Operação Unha e Carne, também voltou a ser alvo da operação desta quinta-feira.
Operação teve origem em listas apreendidas
Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e são cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em São João de Meriti. Além das prisões e buscas, o STF determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões.
De acordo com a Polícia Federal, as listas apreendidas com Adilsinho apresentam indícios de uma contabilidade paralela que pode envolver pagamentos a agentes públicos e movimentações financeiras destinadas à ocultação da origem dos recursos.
As investigações seguem com a análise do material recolhido, rastreamento do fluxo financeiro e identificação de possíveis beneficiários, intermediários e operadores do esquema.
Histórico da investigação
A Operação Unha e Carne foi iniciada no fim de 2025 para apurar uma suposta rede de proteção ao crime organizado. Nas fases anteriores, a Polícia Federal investigou suspeitas de vazamento de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho, além de possíveis fraudes em contratos públicos da Secretaria de Estado de Educação.
A atual etapa amplia o foco das investigações para a suposta lavagem de dinheiro ligada ao jogo do bicho e à possível influência sobre agentes públicos.


