Roqueiro argentino que matou homem a tiros entra em julgamento oito anos após o crime; entenda o caso

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Pity Alvarez — Foto: Reprodução




Cristian “Pity” Álvarez, o roqueiro argentino que já liderou as bandas Viejas Locas e Intoxicados, entrou em julgamento na última segunda-feira (10), em Buenos Aires, por conta de um crime do qual é réu confesso. Em 2018, ele matou seu vizinho com quatro tiros após uma discussão. Identificada como Cristian Maximiliano Díaz, de 36 anos, a vítima morreu na hora.
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Pouco depois do crime, Pity se entregou à polícia e foi preso. Em 2022, ele passou para a prisão domiciliar. E em março de 2023, os juízes suspenderam o processo, considerando que o artista não teria capacidade mental para respondê-lo. Durante todo esse tempo, a defesa de Pity se agarrou neste argumento de que o acusado tem problemas psiquiátricos e está em tratamento por conta do vício em drogas e que, portanto, não teria condições de assimilar o julgamento.
O episódio envolvendo Pity Álvarez ainda divide opiniões na Argentina. Mesmo diante do ocorrido, o músico ainda mantém uma numerosa base de fãs. Muita gente o defende, sustentando que o crime ocorreu por legítima defesa. E quem pôs o roqueiro diante do tribunal, desta vez, foi ele mesmo. Depois de um show para 35 mil pessoas no Estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, no fim do ano passado, apresentação que marcou seu retorno aos palcos, os promotores do caso insistiram que ele estava em plenas condições de encarar o julgamento. Em junho deste ano, ele voltou a se apresentar para milhares de pessoas em Mendoza. Veja registros da apresentação no post a seguir:
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O julgamento
O caso, então, foi reaberto. Segundo a imprensa argentina, Pity chegou ao Tribunal Criminal Oral nº 29, em Buenos Aires, usando um chapéu de pelúcia preto, óculos escuros e uma camiseta preta com a frase “If you wait, you’ll understand” (“se você esperar, você entenderá”, na tradução). Trata-se de um verso da canção “Nunca quise”, uma das mais famosas da sua banda Intoxicados.
A reportagem do La Nacion, que acompanhou o primeiro dia do julgamento, destacou o comportamento errático do músico no tribunal. “Pity mantinha os lábios cerrados e mexia nervosamente as mãos”, diz uma das matérias publicadas sobre o caso. “Ele permanecia reclinado, com os braços abertos e apoiados nas cadeiras ao lado, a cabeça encostada na parede e os olhos fechados”, continua. Em determinado momento, o juiz lhe perguntou seu número de identidade, mas Pity Alvarez não se recordou.
Quando questionado se usava algum tipo de droga, o artista afirmou:
“Em certo momento, usei, e cheguei a fazer tratamento, mas não uso mais. Eu era viciado no que é conhecido como crack, mas não uso desde 1992”.
Ao se levantar para ir ao banheiro, Pity teve dificuldades de caminhar. Em outro momento, parecia estar dormindo — “até mesmo um ronco foi ouvido”, diz a matéria do La Nacion. Apesar da tentativa da defesa de tentar suspender o julgamento, mais uma vez, com o argumento de que Pity não teria condições de enfrentá-lo, o promotor Sandro Abraldes, por outro lado, foi taxativo.
“Estamos diante de uma situação em que o acusado claramente escolhe quando estar lúcido e quando adormecer ou ficar entediado”, afirmou Abraldes. Uma nova avaliação feita pelo Corpo Médico Legal (CMF) concluiu que o roqueiro possui “reserva cognitiva” suficiente para enfrentar as diferentes etapas do processo criminal.
‘Ele matou meu pai’
Uma das testemunhas do julgamento foi Jacqueline Guzzardi, uma das filhas da vítima, que tinha 16 anos à época do crime. Ela relembrou que foi avisada por alguém na porta de casa que “algo ruim tinha acontecido”. Quando foi ao local, encontrou seu pai sem vida em uma poça de sangue. Em entrevista à agência de notícias Télam, em 2022, Jacqueline deu mais detalhes:
“Eu não conseguia acreditar. Eu sabia que ele era louco, mas sempre me dei bem com ele. Desde então, não consigo nem ouvir o nome dele ou uma de suas músicas. Isso me afetou psicologicamente. Ele pode ser o que é como músico, mas como pessoa, ele matou meu pai”.
Pity Álvarez estampou a capa da última edição argentina da revista Rolling Stone. Na entrevista à publicação, afirmou que não acredita na sua prisão.
“Sabe por que eu não vou para a cadeia? Porque, no fim das contas, o veredito não será dado por três juízes. Será dado pelo universo. Eu não preciso estar na cadeia, acabou, eu já paguei. Eu não vou voltar para aquele lugar, porque o universo não quer que eu volte, e, afinal, é de lá que viemos. Algumas pessoas acreditam em Deus, eu não sei, eu acredito em energia materializada”, disse o músico.
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O crime
Na madrugada de 12 de julho de 2018, em frente À entrada da Torre 12 B do bairro Cardenal Samoré, em Villa Lugano, Pity Álvarez se encontrou por acaso com seu vizinho Cristian Díaz, conhecido como El Gringo. Segundo a investigação, eles não eram amigos, apenas conhecidos.
Após uma discussão, Pity teria atirado cinco vezes contra Díaz, que acabou atingido por quatro disparos e morreu na hora. Depois do assassinato, o roqueiro entrou em seu carro com sua namorada e pediu a ela que jogasse a arma do crime em um bueiro às margens da via Dellepiane Sur. Depois, os dois foram para a boate Pinar de Rocha, em Ramos Mejía. Pity chegou a ser considerado foragido da polícia durante 24 horas, até se entregar em uma delegacia de Buenos Aires. “Eu o matei porque era ele ou eu. Acho que qualquer animal faria o mesmo”, teria dito o cantor durante a prisão.
Testemunhas no julgamento
Augustina Inbernoz, a ex-namorada de Pity que estava com ele no momento do assassinato, também testemunhou no julgamento que está em curso em Buenos Aires. Ela participou via videochamada e a imprensa não teve acesso ao seu depoimento. Seu padrasto, Raúl Prieto Inbernoz, também foi testemunha. Ele disse que, à época, Augustina relatou que Cristian Díaz havia “assediado” Pity antes do crime por um longo período de insultos, empurrões e agressões físicas. “Atire em mim se tiver coragem”, teria dito a vítima, segundo a testemunha.
Uma outra testemunha convocada para o julgamento foi Marcelo Pedroso, vizinho do réu e da vítima na época do assassinato. Pedroso diz que na madrugada do crime, ouviu tiros do seu apartamento e que, ao olhar pela janela, viu o corpo de Cristian estirado no chão. Ele disse que conhecia Pity, que já havia lhe dado carona para ensaios e que “jamais alguém imaginou que ele pudesse fazer isso”.
O julgamento de Pity Álvarez será retomado nesta próxima semana.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/08/15/roqueiro-argentino-que-matou-homem-a-tiros-entra-em-julgamento-quase-dez-anos-apos-o-crime-entenda-o-caso.ghtml

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