Em sabatina na Rádio Manchete, candidato do PSD ao Senado afirmou que proposta não retira direitos dos servidores, defendeu apoio das Forças Armadas na retomada de territórios e explicou parceria com Benedita da Silva
O candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro Pedro Paulo (PSD) colocou a reforma administrativa entre as principais bandeiras que pretende levar para o Senado caso seja eleito. Durante entrevista à Sabatina Manchete, nesta terça-feira (15), o deputado federal afirmou que a proposta busca combater privilégios dentro do serviço público sem retirar direitos dos servidores e defendeu a adoção de metas e incentivos por desempenho na administração pública.
A segurança pública também ocupou parte significativa da entrevista. Pedro Paulo defendeu o apoio das Forças Armadas às forças estaduais na retomada de territórios dominados pelo crime organizado, o fim da progressão de regime para chefes de organizações criminosas e mudanças no sistema penitenciário.
O candidato ainda falou sobre educação, propostas de mudanças no Supremo Tribunal Federal (STF), o papel que pretende exercer no Senado e a parceria com Benedita da Silva (PT), em quem declarou seu segundo voto para a Casa.
Reforma administrativa
Pedro Paulo coordenou, na Câmara dos Deputados, o grupo de trabalho criado para discutir a reforma administrativa. O colegiado apresentou propostas envolvendo, entre outros pontos, concursos públicos, cargos comissionados, contratações temporárias, avaliação periódica e gratificações. Segundo a Agência Câmara, os textos apresentados pelo grupo não preveem mudanças na estabilidade dos servidores.
Na Sabatina Manchete, o candidato procurou afastar a associação entre reforma administrativa e retirada de direitos do funcionalismo.
“É uma reforma que não toca uma vírgula em direito do servidor.”
Para explicar sua posição, Pedro Paulo citou o exemplo de profissionais que trabalham em serviços essenciais com salários mais baixos e contrapôs essa situação ao que classificou como “castas de privilegiados” existentes no poder público.
“Quando a gente ataca a desigualdade na administração pública, a gente beneficia o servidor, e principalmente a maior parte do servidor, que ganha muito mal: o professor, o médico, o enfermeiro, o profissional de limpeza pública.”
O candidato argumentou que a redução das distorções permitiria direcionar recursos para a valorização de outras categorias e para a melhoria dos serviços oferecidos à população.
A preservação da estabilidade e dos direitos adquiridos também foi defendida por Pedro Paulo durante a elaboração da reforma na Câmara. Em entrevista divulgada pela Casa em outubro de 2025, ele afirmou que a proposta buscava modernizar o serviço público sem “vilanizar” o servidor.
Metas e bonificação para servidores
Outro ponto defendido pelo candidato é a adoção de metas de desempenho. Pedro Paulo usou como referência sua passagem pela Prefeitura do Rio, onde exerceu funções como secretário de Fazenda e Planejamento e chefe da Casa Civil.
Segundo ele, equipes que atingissem determinados objetivos poderiam receber bonificações.
“Você está falando da possibilidade, por exemplo, do servidor, dos times de servidores públicos, departamentos, secretarias que batem essa meta, ganhar um décimo quarto salário, um décimo quinto salário.”
Pedro Paulo defendeu ainda que parte da distribuição de recursos seja associada a resultados alcançados pelos entes públicos. Na educação, citou como exemplo a ampliação do ensino em tempo integral.
Segurança e retomada de territórios
Na segurança pública, Pedro Paulo afirmou que pretende utilizar um eventual mandato no Senado para defender mudanças na legislação. O candidato citou seu voto favorável à PEC da Segurança e destacou a integração entre as forças policiais e o reconhecimento do papel complementar das forças municipais.
Um dos pontos apresentados durante a sabatina foi a participação das Forças Armadas no apoio às forças estaduais em operações de retomada de áreas controladas pelo crime organizado.
“Eu defenderei no Senado para que nós possamos ter as Forças Armadas com um papel central de apoio às forças de segurança estaduais para a retomada de território.”
Segundo Pedro Paulo, seria necessário preparar e destinar recursos a um contingente das Forças Armadas, especialmente do Exército, para atuar nesse tipo de operação. Para o candidato, o controle territorial exercido por grupos criminosos está entre os principais problemas enfrentados pelo Rio de Janeiro.
Fim da progressão para chefes de organizações criminosas
Pedro Paulo também propôs endurecer as regras aplicadas a líderes de organizações criminosas.
“Eu defendo o fim da progressão de pena para esses chefes de organização criminosa.”
O candidato afirmou ainda que, uma vez presos, esses líderes deveriam ser obrigatoriamente enviados para presídios de segurança máxima distantes dos territórios onde exerciam influência.
Entre outras medidas, defendeu tornar obrigatórios bloqueadores de celulares em unidades prisionais e alterar a legislação para dificultar a soltura de criminosos reincidentes.
Questionado sobre a classificação de facções e milícias como organizações terroristas, Pedro Paulo se posicionou contra.
“Eu sou contra porque isso não resolve o problema, isso cria uma falsa impressão.”
Para o candidato, uma alternativa seria integrar mais diretamente a Receita Federal ao sistema de segurança pública para ampliar o rastreamento de recursos movimentados pelo crime organizado.
“A gente precisa voltar a essa discussão no Senado.”
Pedro Paulo citou o modelo de combate à máfia italiana e defendeu uma estratégia baseada no rastreamento do dinheiro das organizações criminosas.
Educação e recursos vinculados a resultados
Na área da educação, o candidato afirmou que o país já possui um conjunto amplo de normas e que o Senado poderia concentrar parte de sua atuação na distribuição de recursos vinculada à obtenção de resultados.
Pedro Paulo voltou a citar a expansão do ensino integral e defendeu incentivos financeiros para estados e municípios que avançarem em indicadores educacionais.
“O Estado e a cidade que ampliou e deve, seja no ensino médio ou no ensino fundamental, receba um pouco mais de recurso.”
O candidato também criticou os resultados do ensino médio estadual do Rio e defendeu a valorização dos professores da rede estadual.
Apoio a Benedita da Silva
Durante a entrevista, Pedro Paulo foi questionado sobre a composição política formada no Rio de Janeiro. A candidatura do deputado ao Senado integra a chapa encabeçada por Eduardo Paes (PSD) ao governo estadual, ao lado da também candidata ao Senado Benedita da Silva (PT). A composição foi oficializada na convenção estadual do PSD em julho.
Pedro Paulo declarou na sabatina que seu segundo voto para o Senado será em Benedita e justificou a escolha pela trajetória política da deputada.
“Eu voto na Benedita com uma convicção, porque eu acho que ela representa muito, ela tem um simbolismo que eu acho que é importante.”
Ao falar sobre a parceria, o candidato destacou a trajetória de Benedita como vereadora, senadora, deputada federal e governadora do Rio.
Na sequência, Pedro Paulo procurou definir sua própria posição no espectro político.
“Eu costumo dizer que eu sou radical de centro. Eu não sou um político nem de esquerda nem de direita, sou um político de centro.”
O candidato afirmou que sua concepção combina responsabilidade fiscal com políticas sociais.
“Eu defendo muito que responsabilidade fiscal não é contraditória com responsabilidade social.”
Segundo Pedro Paulo, o equilíbrio das contas públicas é necessário para garantir financiamento e continuidade a programas sociais. Ele citou, entre as políticas que apoiou, o Bolsa Família e o Pé-de-Meia.
“Mandato que ultrapassa governos”
A definição como político de centro também foi usada por Pedro Paulo para explicar como pretende se relacionar com diferentes governos caso seja eleito.
Questionado se teria condições de dialogar com um presidente de outro campo político, o candidato respondeu afirmativamente e argumentou que o mandato de senador, com duração de oito anos, exige uma postura institucional que ultrapasse governos.
“Esse equilíbrio, essa serenidade do senador, ela é fundamental.”
Pedro Paulo ressaltou que o Senado exerce funções diferentes das atribuídas à Câmara dos Deputados e destacou o papel da Casa na representação dos estados.
“Capacidade de diálogo, você não colocar a ideologia à frente das suas principais funções no Senado.”
Segundo o candidato, o período de oito anos do mandato exige que o senador mantenha capacidade de interlocução independentemente de quem esteja na Presidência da República.
“Oito anos é um mandato que tem que ser um mandato do senador, um mandato que ultrapassa governos.”
Pedro Paulo afirmou ainda que pretende exercer o que chamou de mandato “reformista”, em oposição a uma atuação centrada em embates ideológicos.
Mudanças no STF
Ao tratar das atribuições institucionais do Senado, Pedro Paulo também apresentou propostas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal.
O candidato defendeu elevar para 55 ou 60 anos a idade mínima para a indicação de ministros da Corte.
“Eu defendo que no Supremo Tribunal Federal nós façamos um aumento da idade mínima do ministro do Supremo para 55, 60 anos, para que o cargo de ministro do Supremo seja o último da carreira e não o primeiro.”
Pedro Paulo afirmou preferir a elevação da idade mínima à criação de mandatos com prazo determinado para os ministros. Ele também defendeu reduzir a possibilidade de decisões monocráticas e estabelecer regras de conduta para integrantes do Supremo.
“Eu me caracterizo como um parlamentar reformista.”
Para o candidato, mudanças institucionais devem ser feitas por meio de reformas legislativas, preservando o funcionamento das instituições.
Pedro Paulo está atualmente no quarto mandato consecutivo como deputado federal pelo Rio de Janeiro. Na Câmara, além de ter coordenado o grupo de trabalho da reforma administrativa, participa das atividades legislativas da atual legislatura.
