Integrante de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV), especializada em adquirir grandes volumes de armas, equipamentos antidrones e drogas no atacado, o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, não atuava apenas no vazamento de informações de operações policiais. Ele intermediava negociações e chegou a fazer demonstrações, por vídeo, do funcionamento de uma arma própria para derrubar drones, vendida ao traficante Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, do Complexo do Alemão. É o que consta em uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF). O documento informa ainda que a quadrilha de TH também fez negócios com outras duas facções criminosas: a Amigos dos Amigos (ADA) e o Terceiro Comando Puro (TCP).
O contato com esta última aparece em uma troca de mensagens, datada de 27 de setembro de 2024. Nela, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu, ex-assessor do parlamentar, oferece a Wallace da Costa Trindade, o Lacoste, um dos chefes do TCP, um fuzil e dois carregadores. A arma teria sido apreendida na comunidade Cesar Maia, em Vargem Pequena, que têm territórios controlados pelo CV. A denúncia não detalha como o armamento apreendido teria sido desviado para ser negociado com uma facção rival. “Dois carregadores, 19 munições. Era do CV. Operação no Cesar Maia, 55 mil”, escreveu Dudu em um trecho da mensagem enviada a Lacoste. A negociação com o TCP não se resumiu apenas a armas e munição. Segundo a denúncia, o traficante também teria adquirido da quadrilha ligada a TH Joias pelo menos 148 quilos de cocaína. A droga teria sido entregue no dia 24 de agosto de 2024. Neste caso, a venda foi feita por Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, por intermédio de Dudu. Índio é apontado nas investigações como integrante da mesma organização criminosa. Segundo o MPF, Lacoste realizou o negócio sem saber que a dupla era integrante do CV.
Já a relação com a ADA é narrada na denúncia a partir da apreensão de R$ 175 mil em espécie. O dinheiro estava dentro de um carro que saiu da Vila Vintém, no dia 5 de abril de 2024. Dentro do veículo, abordado por policiais militares na Avenida Brasil, estava Luiz Eduardo Cunha Gonçalves. Na ocasião, ele contou que a quantia, que ficou apreendida à disposição da Justiça, era oriunda da venda de um carro. No dia 25 de abril de 2025, o ex-assessor enviou uma mensagem para Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor, também apontado nas investigações como suspeito de integrar o bando de TH Joias. Na mensagem, segundo o MPF, ele afirmou que precisava devolver a quantia ao velho, apontado no documento do Minstério Público Federal como sendo Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, fundador da ADA. “Dr. bom dia! Tem alguma previsão da liberação daquela quantia? Preciso dar uma posição ao velho lá”, escreveu o assessor em um trecho da mensagem.
