A bruxa resolveu bater ponto no Palácio Pedro Ernesto. A sessão desta terça-feira (9) na Câmara do Rio virou uma espécie de divã público da base de Paes, com vereador governista atacando secretário, colega cobrando colega e a oposição só assistindo ao incêndio com um balde de gasolina no colo.
O fogo começou com Alana Passos (PL), que voltou a cobrar a Prefeitura pela falta de medicamentos, dificuldade de atendimento e casos graves na rede municipal. A vereadora citou a morte do jovem Robert, que era tetraplégico e teve a assistência domiciliar retirada, além de uma fiscalização no Hospital Souza Aguiar, onde afirmou ter cobrado atendimento para um adolescente de 17 anos com suspeita de tumor.
A fala abriu a porteira. Logo depois, Marcelo Diniz (PSD), vereador da base do prefeito, subiu à tribuna e transformou Daniel Soranz em alvo principal. “A Secretaria de Saúde do município do Rio de Janeiro é a pior secretaria de saúde de todo o estado do Rio de Janeiro”, disparou.
O governista foi além. Chamou Soranz de “dono” da pasta, acusou a secretaria de funcionar como estrutura privatizada por meio de OSs, falou em falta de remédios básicos nas clínicas da família e disse ter encontrado unidades sem dipirona, remédio para pressão alta, diabetes, asma, bronquite, dor, inflamação e antibiótico.
“Secretário, você é um vagabundo, você está mexendo com a pessoa errada. Aqui tem homem, eu sou vereador da cidade e sou homem. Você entrou numa guerra que você não vai vencer. Nem a própria classe da saúde vota em você, ninguém gosta de você. Bicha pão com ovo.” Apesar da bravura na hora da fala, posteriormente o vereador solicitou a retirada da última frase dos atos da sessão. Confira o momento:
O líder da oposição Rogério Amorim (PL) aproveitou a deixa e disse que as denúncias feitas por Diniz já vinham sendo apresentadas pela oposição e não era “nenhuma novidade”. “A denúncia não veio da oposição. Veio da base, veio da carne, veio das próprias entranhas”, afirmou. Amorim também acusou Soranz de usar a máquina pública para fins políticos e prometeu levar ao TRE e ao TSE a denúncia sobre um evento com servidores da saúde.
Acostumado com a fiscalização das unidades municipais, o opositor Poubel (PL) também entrou no baile. Disse que o Hospital Lourenço Jorge parecia “um chiqueiro”, voltou a falar da falta de remédios básicos e ironizou o apelido usado por Diniz contra Soranz. “Pão com ovo normalmente está acompanhado. E ele não acompanha nada”, cutucou.
Já Rafael Satiê (PL) reforçou que a Saúde municipal tem orçamento maior do que a Secretaria Estadual de Saúde e afirmou que Soranz é “digno” das críticas. No fim, a oposição nem precisou começar o tiroteio. A base de Paes fez o serviço sozinha. E Daniel Soranz, que costuma vender a saúde municipal como vitrine, virou vidraça dentro da própria tropa.

