Uma estrutura logística que abastecia o tráfico de drogas com matéria-prima para a fabricação de entorpecentes foi o alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (9). Agentes da 38ª DP (Brás de Pina) cumpriram mandados de busca e apreensão para desarticular o esquema do maior fornecedor de insumos químicos para a produção de lança-perfumes destinados ao Comando Vermelho (CV) no Complexo da Maré, na Zona Norte da capital.
A ofensiva mobilizou equipes policiais em um cerco a endereços na capital e na Baixada Fluminense. As ordens judiciais foram cumpridas nos bairros de Irajá, Penha e Vicente de Carvalho, além dos municípios de Belford Roxo e Duque de Caxias. Em apenas um dos alvos — uma loja de produtos domésticos —, os policiais apreenderam mais de 20 mil unidades de gás butano em aerossol.
Empresas de fachada e “laranjas”
Segundo as investigações, o esquema utilizava uma rede de comércios aparentemente regulares para camuflar a compra em larga escala do gás butano. O composto químico, altamente inflamável, é o principal reagente utilizado por criminosos na industrialização clandestina do lança-perfume (popularmente conhecido como “cheirinho da loló”).
Para enganar os órgãos de fiscalização e dificultar o rastreio das autoridades, a organização criminosa utilizava CNPJs de estabelecimentos variados como farmácias, barbearias e lojas de produtos domésticos.
Todos esses comércios estavam registrados em nome de “laranjas” (intermediários inocentes ou pagos para ceder o nome). Isso permitia que o volume massivo de aerossóis fosse adquirido legalmente junto a indústrias e distribuidoras antes de ser desviado para os galpões de armazenamento da facção.
Um ano de monitoramento
A operação é resultado de uma investigação de inteligência que durou cerca de um ano. Por meio do cruzamento de dados fiscais e monitoramento de campo, a 38ª DP identificou o elo entre as compras atípicas de gás e o crime organizado.
O principal alvo da ação — cujo nome não foi divulgado em razão da Lei de Abuso de Autoridade — vinha sendo monitorado frequentemente na comunidade da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. O trânsito livre do suspeito na região, considerada um dos principais quartéis-generais do Comando Vermelho, reforçou as provas de que ele atuava diretamente como o braço logístico e químico da facção.
O material apreendido foi levado à sede policial. Os investigados responderão pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil informou que as investigações continuam com o objetivo de identificar os donos reais do dinheiro e os laboratórios clandestinos onde o entorpecente era manipulado.
