O mundo relembra nesta quinta-feira (8) os 81 anos do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa — marco histórico que simboliza a derrota do nazismo e o encerramento de um dos períodos mais sangrentos da humanidade. Enquanto potências internacionais promovem cerimônias, desfiles e debates sobre memória e democracia, no Brasil a data passa quase despercebida, com poucas solenidades e escassa mobilização oficial.
A rendição da Alemanha Nazista foi assinada em 8 de maio de 1945, encerrando quase seis anos de conflito que deixou milhões de mortos e redesenhou a ordem mundial. No entanto, o papel brasileiro nesse capítulo histórico segue subvalorizado dentro do próprio país.
Mais de 25 mil soldados da Força Expedicionária Brasileira — os chamados pracinhas — foram enviados à Itália, onde participaram de batalhas decisivas contra forças nazifascistas, como Monte Castello, Montese e Fornovo di Taro. A atuação brasileira foi estratégica para o avanço aliado e consolidou um dos momentos mais relevantes da história militar nacional no século XX.
Apesar disso, oito décadas depois, o reconhecimento público é limitado. Diferente de países europeus e dos Estados Unidos, onde veteranos são reverenciados como símbolos nacionais, o Brasil mantém uma agenda tímida de homenagens, restrita a eventos militares e iniciativas pontuais.
Fora do Brasil, Dia da Vitória mobiliza países — e já motivou até cessar-fogo
No cenário internacional, o Dia da Vitória continua carregado de tensão política. Em Berlim, autoridades voltaram a proibir símbolos russos e soviéticos nas comemorações, reflexo direto da guerra na Ucrânia. Já a Rússia decretou um cessar-fogo simbólico para marcar a data, ao mesmo tempo em que reforçou ameaças militares — mostrando como a memória da guerra ainda influencia conflitos atuais.
Especialistas alertam que o esquecimento histórico pode ter consequências graves. O Dia da Vitória não é apenas uma celebração, mas um lembrete dos custos do extremismo, da importância da democracia e do papel da cooperação internacional.

No Brasil, porém, a data levanta uma pergunta incômoda: por que os heróis que ajudaram a derrotar o nazismo seguem praticamente invisíveis para grande parte da população?
A ausência de grandes homenagens revela mais do que descuido — expõe um distanciamento preocupante da própria história.

