O candidato do Novo ao Governo do Rio, André Marinho, apresentou nesta quarta-feira (9), durante a Sabatina Manchete, propostas para segurança pública, mobilidade e gestão do estado. Em sua primeira disputa eleitoral, Marinho defendeu uma “ruptura” com o atual modelo político fluminense e detalhou projetos como a retomada de territórios dominados pelo crime, a criação de uma estrutura independente para fiscalizar os gastos do governo e a implantação de uma ligação metroviária pela Ponte Rio-Niterói.
Entrevistado no Show do Raphael de França, da Rádio Manchete, o candidato afirmou que pretende adotar uma gestão baseada no que chama de “reset”, com foco na redução de desperdícios e no aumento da eficiência da máquina pública.
Ao ser questionado sobre a falta de experiência em cargos eletivos e na administração pública, Marinho disse que decidiu entrar na disputa justamente por considerar necessária uma renovação no comando do estado.
“É questão de caráter e vergonha na cara”, afirmou, ao criticar administrações anteriores. Segundo o candidato, sua proposta é promover uma “ruptura com competência” e colocar novamente, nas palavras dele, “o povo como patrão” do governo estadual.
Controladoria independente para fiscalizar governo
Entre as medidas apresentadas para a gestão pública, André Marinho defendeu a criação de uma Controladoria-Geral independente, com status de secretaria e ligada diretamente ao gabinete do governador.
De acordo com a proposta, o responsável pela fiscalização seria escolhido a partir de uma lista tríplice, com participação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Ministério Público, sem interferência política do governador. O órgão teria como função acompanhar contratos, fornecedores, empenhos e outras despesas em tempo real.
“Cada contrato, cada encargo, cada contrato com fornecedor, cada empenho [seria] auditado ali em tempo real, linha por linha”, afirmou.
Marinho também sustentou que o principal problema financeiro do Rio não seria a falta de recursos, mas a má gestão e os desperdícios. O candidato defendeu cortes em estruturas que considera ineficientes e criticou indicações políticas e o que classificou como “cabides de empregos”.
Metrô pela Ponte Rio-Niterói
Na área de mobilidade, uma das principais propostas apresentadas foi a implantação de uma ligação metroviária acoplada à Ponte Rio-Niterói, projeto que Marinho chamou de “Linha Azul”.
O candidato criticou a histórica proposta da Linha 3 do metrô, entre Rio, Niterói e São Gonçalo, e afirmou que sua alternativa seria inspirada em estruturas rodoferroviárias existentes em outros países.
Pelo projeto defendido por Marinho, haveria uma estrutura ferroviária acoplada à ponte nos dois sentidos. Em Niterói, a ligação seria dividida em dois eixos: um em direção ao Centro, Icaraí e, futuramente, à Região Oceânica; e outro seguindo por Barreto, Neves e Alcântara, em São Gonçalo.
O candidato também defendeu a conclusão de projetos já discutidos para a expansão do metrô, entre eles a ligação da Linha 2 até a Praça XV, a conexão entre as estações Uruguai e Gávea e a extensão entre Jardim Oceânico e Terminal Alvorada.
Para a Baixada Fluminense, Marinho apresentou a ideia de criar o chamado “Arco MM — Arco Mar Montanha”, com um sistema de monotrilho utilizando o traçado do Arco Metropolitano para conectar municípios da região.
Segundo ele, a proposta começaria com uma conexão entre o terminal da Pavuna e Duque de Caxias, chegando ao Arco Metropolitano. O candidato reconheceu, no entanto, que não seria possível concluir todo o projeto em um único mandato.
“Eu sempre vou jogar limpo. (…) 60 quilômetros em quatro anos é inviável”, declarou.
Segurança teria cinco pilares
A segurança pública ocupou uma parte significativa da sabatina. Marinho apresentou o plano denominado “Sai Fuzil, Entra Brasil”, estruturado, segundo ele, em cinco pilares: fechamento das divisas estaduais, retomada de territórios dominados pelo crime, combate às fontes de financiamento das organizações criminosas, ampliação da capacidade do sistema prisional e valorização das forças policiais.
O candidato afirmou que não considera possível resolver a crise de segurança apenas com operações policiais nas condições atuais.
“Qualquer governador vir aqui dizer que vai descer igual um anjo vingador, vai estalar o chicote e vai resolver o problema da segurança, porque com as condições efetivas atuais, não vai”, declarou.
Marinho prometeu retomar pelo menos 20 territórios até 2030 e defendeu uma atuação integrada com órgãos federais. Para ele, Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Forças Armadas poderiam atuar principalmente na retaguarda e no cerco às organizações criminosas, e não necessariamente em incursões dentro de comunidades.
O candidato também defendeu a convocação de aprovados em concursos da Polícia Militar, valorização salarial e pagamento de gratificações, além da transferência de agentes atualmente em funções administrativas ou de escolta para o policiamento nas ruas.
Outro ponto defendido foi o estrangulamento financeiro das organizações criminosas e o combate à corrupção dentro das instituições públicas. Marinho afirmou que pretende solicitar, no início de um eventual governo, investigações sobre agentes públicos que, segundo ele, tenham envolvimento com esquemas criminosos.
Polos econômicos regionais
Ao falar de desenvolvimento econômico, Marinho defendeu a descentralização das oportunidades de emprego e apresentou a proposta de criação de oito polos regionais, chamados por ele de “capitais”, cada um direcionado a uma atividade econômica.
Entre os exemplos citados estão polos ligados à atividade portuária e naval em Itaguaí, à produção farmacêutica, ao agronegócio, à tecnologia e aos eletroeletrônicos, aos games em Nova Iguaçu, à moda e beleza em Duque de Caxias e ao turismo religioso na região de Magé e Guapimirim.
A proposta, segundo o candidato, busca reduzir os deslocamentos diários da população e estimular a geração de empregos mais próximos das áreas onde os trabalhadores vivem.
Eleições e posicionamento político
Durante a entrevista, André Marinho também falou sobre a disputa presidencial. Apesar de declarar apoio político ao governador de Minas Gerais e presidenciável do Novo, Romeu Zema, o candidato destacou sua relação com Flávio Bolsonaro e afirmou receber manifestações de eleitores que pretendem combinar votos em Flávio para presidente e nele para o Governo do Rio.
Marinho disse, porém, que no primeiro turno votará no número 30, do próprio partido, para a Presidência.
Questionado sobre quem apoiaria em um eventual segundo turno para o Governo do Rio caso não avançasse na disputa, o candidato evitou apontar um nome. Marinho afirmou acreditar que ainda pode crescer durante a campanha e citou viradas eleitorais ocorridas anteriormente no estado.
Ao longo da sabatina, o candidato fez críticas a adversários como Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos), que classificou como representantes da “velha política”.
No encerramento, Marinho voltou a apresentar sua candidatura como uma alternativa de renovação.
“Reset, ruptura, renovação, Rio forte de novo, mais dinheiro no seu bolso, mais tempo com a sua família”, resumiu.
A entrevista integra a Sabatina Manchete – Eleições 2026, série da Rádio Manchete com candidatos ao Senado e ao Governo do Estado do Rio de Janeiro.
