Não somos milicianos! | Coluna do Kakay

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Arte Kakay (03/09/2026) - Imagem gerada com IA




Arte Kakay (03/09/2026)Imagem gerada com IA

“Tudo é político, inclusive seu silêncio conivente disfarçado de neutralidade.”
Antônio Gramsci

Vivemos um momento de extrema preocupação e delicadeza. Estamos às portas de uma eleição que pode, outra vez — e agora com maior gravidade — levar o país para o caminho tortuoso do fascismo. A época do presidiário Jair Bolsonaro foi de trevas e de cicatrizes profundas em áreas sensíveis. O Brasil ainda se recupera da catástrofe. Mas, por incrível que possa parecer, o momento atual é ainda mais grave.

Hoje, a extrema direita se fortaleceu no mundo. Especialmente nos EUA. O governo Trump rasgou a fantasia e se mostra, cada vez mais, com volúpia para subjugar boa parte dos países do mundo. Enfrentou e desprezou toda a ordem internacional e subverteu qualquer direito. É a força pela força. Cooptou vários líderes da extrema direita dispostos a seguir a cartilha norte-americana trumpista. Está atraindo a escória mundial. Quando não pelo convencimento do poder econômico e militar, pela força simplesmente. O direito internacional, sob o prisma atual da gestão Trump, deixou de ter eficácia.

E o candidato Flávio Bolsonaro tem como principal tema de campanha entregar o país em troca da liberdade do pai e da anistia dos golpistas, passando pelo perdão dos crimes do irmão e dele próprio. Ele reza a cartilha dos EUA e está de quatro. E com o apoio da parte podre da elite brasileira e de uma seita que se cristalizou. Como advogado criminal, eu sei o desespero das pessoas quando sentem o cheiro da cadeia. E aqui, no caso, a saída do cárcere pode significar o palácio. Não terão nenhum limite. Já não havia limites éticos nem qualquer compromisso com a verdade. Agora é efetivamente o vale-tudo.

O candidato Flávio deu o tom ao mentir descaradamente na entrevista no Jornal Nacional, com o luxuoso auxílio dos entrevistadores. E demonstrou que acredita dominar a imprensa e a estrutura da Justiça para simplesmente não ter de prestar contas dos R$ 61 milhões do Vorcaro. Antes das eleições, esse é um assunto proibido e sob controle, arrota o candidato. Afirma, com invejável desfaçatez, que já está tudo explicado e despreza a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal. Na versão dele está tudo cooptado.

É claro que resta resistir nos limites democráticos. O país não é dominado por facínoras fascistas. As práticas milicianas não ditam as normas da sociedade brasileira. Boa parte da mídia denunciou a ousadia da estratégia da mentira deslavada adotada pelo candidato da extrema direita. E, é claro, a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo Tribunal não estão a serviço da milícia e não irão deixar de responder às inúmeras dúvidas que uma sociedade atenta e digna espera.

Essa é a encruzilhada. Não aceitar que o silêncio se fantasie de neutralidade e que os omissos e silenciosos sejam cúmplices de um crime contra a humanidade, o povo e o destino do Brasil. Vamos continuar sonhando e acreditando na Justiça. Vamos cobrar e acreditar.

Como nos ensinou nosso Pessoa:

“Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.”

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay



Com informações da fonte
https://odia.ig.com.br/colunas/coluna-do-kakay/2026/09/7297857-nao-somos-milicianos.html

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