Petrobras, Itaú e Bradesco estão entre os papéis atingidos; ETF que acompanha a Bolsa brasileira chega a cair mais de 26% no exterior
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma onda de pessimismo no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). As ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos despencaram no pré-mercado, com perdas que chegaram a quase 30% em alguns papéis, revertendo parte do otimismo registrado após o primeiro turno das eleições.
Entre os destaques negativos estão os bancos Itaú Unibanco e Bradesco, além da Petrobras. Por volta das 7h30, os papéis do Bradesco recuavam cerca de 29%, enquanto os do Itaú perdiam aproximadamente 27%. A Petrobras também registrava queda superior a 23%. Os números variam conforme o horário e a plataforma de negociação.
O movimento atingiu ainda o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha o desempenho das ações brasileiras. O ativo chegou a cair mais de 26%, sinalizando a reação negativa dos investidores ao resultado eleitoral.
Mercado esperava vitória de Flávio Bolsonaro
Parte dos investidores apostava na vitória de Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno na frente. A expectativa era de uma mudança de governo acompanhada de reformas econômicas e maior controle das contas públicas.
Com a vitória de Lula, essas apostas foram revistas. A preocupação dos agentes financeiros se concentra na trajetória da dívida pública, no equilíbrio fiscal e na possibilidade de manutenção dos juros em patamares elevados.
O economista-chefe para mercados emergentes da Capital Economics, William Jackson, avaliou que o resultado frustra as expectativas de reformas que poderiam melhorar as contas públicas e fortalecer as perspectivas de crescimento econômico.
Bolsa pode enfrentar dia de turbulência
A reação no exterior aumenta a pressão sobre o mercado brasileiro na abertura dos negócios. Dólar, juros futuros e ações ficam no radar dos investidores, em meio à incerteza sobre os próximos passos da política econômica.
O tombo, porém, não significa que todas as empresas serão afetadas da mesma forma. Companhias exportadoras, que recebem parte de suas receitas em dólar, podem sofrer impactos diferentes daqueles enfrentados por bancos e empresas mais sensíveis aos juros domésticos.
O recado inicial do mercado é claro: a vitória eleitoral de Lula abriu uma nova rodada de incertezas para os investidores, que agora aguardam sinais concretos sobre o rumo da economia e o compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas.
