IPCA cai 0,32% em agosto, com queda na conta de luz e nos preços dos alimentos

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O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação, recuou 0,32% em agosto, informou nesta sexta-feira o IBGE. Em julho, o IPCA registrou ligeira alta, de 0,07%.
Foi a primeira deflação mensal desde agosto do ano passado, quando o IPCA já tinha recuado 0,11%. Para os meses de agosto, foi a menor variação desde 2022, quando caiu 0,36%.
O resultado de agosto foi puxado pela tarifa de energia elétrica residencial, com queda de 7,63%, e pelo grupo Alimentação e bebidas, que recuou 0,34%.
No acumulado em 12 meses, o índice subiu 4,22%, mantendo-se abaixo do teto da meta contínua perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No ano, o IPCA acumula alta de 3,11%.
Quedas e altas
Entre os grandes grupos de preços de bens e serviços do IPCA, recuaram em agosto:
Habitação (-1,87%)
Transportes (-0,86%)
Alimentação e bebidas (-0,34%)
Comunicação (-0,09%)
Na contramão, tiveram aumento os seguintes grupos:
Despesas pessoais (1,30%)
Artigos de residência (0,64%)
Educação (0,47%)
Saúde e cuidados pessoais (0,23%)
Vestuário (0,12%)
Maiores quedas em agosto
Isoladamente, item por item, as maiores contribuições negativas na variação agregada do IPCA de agosto foram:
Energia elétrica residencial, -7,63%, com impacto de-0,33 ponto percentual (p.p.)
Passagem aérea, -13,17%, com impacto de -0,11 p.p.
Batata-inglesa, -19,89%, com impacto de -0,05 p.p.
Tomate, -10,94%, com impacto de -0,03 p.p.
Gasolina, -0,59%, com impacto de -0,03 p.p.
Maiores altas em agosto
Na outra ponta, as maiores contribuições positivas na variação agregada do IPCA de agosto foram:
Cigarro, 19,59%, com impacto de 0,11 p.p.
Conserto de automóvel, 1,35%, com 0,02 p.p.
Carnes, 0,61%, com impacto de 0,02 p.p.
Empregado doméstico, 0,56%, com impacto de 0,02 p.p.
Cursos regulares, 0,52%, com impacto de 0,02 p.p.
Conta de luz mais barata era esperada, mas deflação veio maior
Já era esperado que o indicador agregado mostrasse preços comportados no mês passado, com os custos da energia elétrica como destaque de baixa, mas o resultado veio abaixo das expectativas de mercado, que apontavam para uma queda de 0,28%, segundo pesquisa do jornal Valor.
O recuo de 7,63% na energia elétrica residencial, sozinho, teve impacto negativo de 0,33 ponto percentual na variação agregada do IPCA.
Com isso, o recuo de 1,87% no grupo de preços da Habitação foi o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, segundo o IBGE.
‘Bônus de Itaipu’
Isso porque, no início de julho, a Aneel, agência reguladora do setor elétrico, aprovou a distribuição de R$ 872 milhões referentes ao Bônus de Itaipu de 2025 — o bônus é um valor distribuído aos consumidores de eletricidade quando há saldo positivo na conta de comercialização da usina hidrelétrica controlada por Brasil e Paraguai.
Na prática, a distribuição do bônus se dá na forma de um crédito na conta de luz. Fazem jus aos descontos os consumidores que tiveram pelo menos um mês com consumo abaixo de 350 quilowatts-hora (kWh) em 2025.
Do ponto de vista da inflação, o crédito tem efeito temporário. O IPCA deste mês registrará encarecimento da conta de luz, já que as tarifas voltarão ao valor normal.
Cenário se mantém para o BC
Apesar do alivio, o resultado de agosto pode ser pouco para mudar as perspectivas para o cenário de inflação.
O ritmo dos reajustes nos serviços e aumentos de alimentos cuja oferta possa ser prejudicada por eventos climáticos decorrente do El Niño — o fenômeno marcado pelo aquecimento das águas do Pacífico — são os principais riscos citados por especialistas.
E tem os combustíveis. Mesmo com o novo pacote de subsídios anunciado quarta-feira pelo governo, a depender da duração da atual escalada das cotações do petróleo, novas pressões por reajustes poderão surgir.
No entanto, em agosto, antes da disparada nas cotações do petróleo, os combustíveis registraram preços comportados. Houve recuos no etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). Só o gás veicular subiu 2,62%.
Esses fatores, temperados por um mercado de trabalho ainda aquecido e medidas do governo que impulsionam a demanda, deverão manter o BC atento
Desde março, a autoridade monetária leva adiante um ciclo de baixa na política de juros, com cortes cautelosos na taxa básica Selic, hoje em 14% ao ano.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/economia/post/2026/09/ipca-cai-032percent-em-agosto-com-queda-na-conta-de-luz-e-nos-precos-dos-alimentos.ghtml

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