Antártida em Curicica? Superprodução recria o continente gelado

Tempo de leitura: 6 min


Um lago congelado se torna caminho de uma travessia perigosa. Em meio a uma nevasca e a ameaça de um frio letal, um passo em falso pode significar a morte da subcomandante Elizabeth e do pesquisador Gaspar, isolados num dos polos hostis da Terra.

Por mais verossímil que pareça na tela, o gelo é cenográfico, a neve é importada de produções hollywoodianas e os corajosos profissionais são, na verdade, os atores Andrea Beltrão e Renan Monteiro.

Como o nome revela, Antártida se passa no continente gelado — mais especificamente, dentro de uma base de pesquisa brasileira. No entanto, as gravações foram comandadas pelo cineasta Bruno Safadi nos Estúdios Globo, sob o calor de Curicica, na Zona Oeste da cidade.

“Quando vi o set pela primeira vez, comecei a chorar. Era tudo que eu imaginei e muito além”, relembra a roteirista Cláudia Jouvin, que idealizou o thriller em 2017, mas só conseguiu acesso a tecnologia para tirar a história da cabeça quase uma década depois.

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Temas complexos: na trama de Antártida as mulheres da equipe precisam se unir para investigar um caso de abuso. (Fabio Rocha/TV Globo)

Na trama, quando a recém-contratada cientista Inês, papel de Marina Ruy Barbosa, é violentada na Estação Comandante Diniz, todos os homens se tornam suspeitos e cabe a Elizabeth descobrir quem cometeu o crime. A produção estreia na quinta (17), nos cinemas.

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Um dos destaques é o uso da tecnologia Unreal Engine — um motor gráfico de criação 3D em tempo real, inicialmente usado em jogos eletrônicos como o Fortnite. Popularizada no audiovisual por produções grandiosas como o seriado O Mandaloriano, da franquia Star Wars, a ferramenta substitui as conhecidas telas verdes por estúdios de produção virtual nos quais imensos telões curvados de LED transmitem o cenário em sincronia com a câmera.

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Dos games para a telona: o motor gráfico de criação 3D em tempo real foi usado inicialmente em jogos eletrônicos como o Fortnite e popularizada no audiovisual por produções grandiosas como a série O Mandaloriano, do Disney+. (Disney/Divulgação)

“No dia da gravação, os efeitos visuais precisam estar prontos. Para reconstruir a base física, que sofreu um incêndio em 2012, precisei ir atrás de referências da época”, diz o produtor de efeitos visuais Bruno Netto.

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O trabalho ganhou vida num assombroso set de 1 500 metros quadrados envolto por telas de LED de 300 metros quadrados.

“Tiramos o filme do papel antes mesmo dele ser rodado. Foi um processo interdisciplinar de quase um ano, integrando equipes de fotografia, cenografia, computação, efeitos mecânicos, produção, direção e roteiro”, explica Bruno Safadi.

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A expansão digital também amplia o leque de histórias que podem ser contadas. “O cinema brasileiro se desenvolveu sob uma lógica de escassez e foi necessária muita criatividade para dar conta”, contextualiza Pedro Curi, coordenador do curso de cinema e audiovisual da ESPM, ressaltando que hoje a indústria nacional compete lado a lado com produções estrangeiras.

Se no aspecto técnico Antártida traz ferramentas sem precedentes para estas bandas, o objetivo do texto é trazer empatia.

“Queria que o público se colocasse no lugar dessas mulheres, sentindo o medo, a frustração e a humilhação”, ressalta Cláudia Jouvin, a autora. Tema central da obra, a violência contra a mulher é agravada pelo isolamento.

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A história em primeiro lugar: “Quero despertar empatia com a trama”, diz a roteirista Cláudia Jouvin. (Jorge Bispo/Divulgação)

“Essa história poderia ser contada em vários ambientes, mas optaram por um dos lugares mais inóspitos do planeta. Não é à toa, mas a escolha de uma linguagem inteligente possibilitada por uma tecnologia sofisticada”, observa o professor da ESPM.

Apesar de todos os aparatos envolvidos, o olhar do longa-metragem é nacional. “Não me senti em Hollywood, até porque nunca tive vontade de trabalhar lá. Na verdade, me senti fazendo um filme brasileiro de excelência na execução”, elogia a protagonista Andrea Beltrão.

A neve pode ter sido importada, mas os talentos são 100% coisa nossa.

Vanguarda hi-tech 

Curiosidades sobre a aposta da TV Globo:

  • 9 anos se passaram até que a tecnologia que possibilitaria o projeto chegasse ao Brasil 
  • 16 semanas de pré-produção e seis semanas de testes foram necessárias antes do primeiro dia de gravação 
  • 300 metros quadrados de telas de LED foram utilizados nos efeitos visuais 
  • 1500 metros quadrados é o tamanho do estúdio no qual o filme foi gravado — o maior entre os permanentes da América Latina 
  • Foi necessária uma viagem para a Patagônia Argentina para capturar imagens e texturas para aperfeiçoar os efeitos visuais 



Com informações da fonte
https://vejario.abril.com.br/cidade/antartida-curicica-superproducao/

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