A prévia da inflação oficial brasileira registrou deflação de 0,40% em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) foi influenciado principalmente pela queda nos preços de habitação, transportes e alimentação.
O resultado representa uma mudança em relação a julho, quando o indicador havia registrado alta de 0,06%. Em agosto de 2025, o IPCA-15 também havia apresentado queda, mas de 0,14%.
A deflação ficou ainda mais intensa do que a esperada pelo mercado. Pesquisa da Reuters apontava uma projeção de recuo de 0,30% no mês e inflação acumulada de 4,34% em 12 meses.
Com o resultado de agosto, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% no ano. No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 4,52% para 4,24%.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, três exerceram os principais impactos sobre o resultado negativo do índice.
O grupo Habitação registrou queda de 1,41% e teve impacto de -0,22 ponto percentual sobre o IPCA-15, sendo o principal responsável pela deflação.
Em seguida, apareceu Transportes, com recuo de 1% e contribuição de -0,20 ponto percentual. Já Alimentação e bebidas caiu 0,57%, retirando 0,12 ponto percentual do índice.
Entre os demais grupos, Vestuário apresentou queda de 0,20%, enquanto Despesas pessoais teve a maior alta, de 0,66%.
Também registraram aumento Saúde e cuidados pessoais, com 0,40%, e Educação, com 0,46%. Artigos de residência subiram 0,04%, praticamente ficando estáveis, e Comunicação teve queda de 0,02%.
A deflação foi registrada em todas as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE. Curitiba apresentou a maior queda, de 0,82%, influenciada principalmente pelo recuo de 15,34% nas passagens aéreas e de 4,83% na energia elétrica residencial.Na sequência apareceram Belém, com -0,74%, e Salvador, com -0,71%. Já São Paulo, que possui o maior peso no cálculo do IPCA-15, teve a menor queda entre as localidades pesquisadas, de 0,06%. A região paulista representa 33,45% do indicador nacional.
Apesar do resultado negativo, alguns produtos e serviços registraram alta na região. O leite longa vida, por exemplo, ficou 4,66% mais caro, enquanto o conserto de automóvel subiu 2,97%.
Inflação acumulada em 12 meses desacelera
Outro destaque do levantamento foi a desaceleração da inflação acumulada em 12 meses. A taxa passou de 4,52% para 4,24% em agosto, ficando abaixo da estimativa de 4,34% apontada por economistas consultados pela Reuters.
O IPCA-15 utiliza metodologia semelhante à do IPCA, considerado o índice oficial de inflação do país. A principal diferença está no período de coleta dos preços.
Para o resultado de agosto, foram considerados os preços coletados entre 16 de julho e 14 de agosto de 2026, comparados aos valores registrados entre 17 de junho e 15 de julho.
O levantamento considera famílias com rendimento mensal entre um e 40 salários mínimos e abrange regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.
A próxima divulgação do IPCA-15 está prevista para 25 de setembro.
Variação dos grupos em agosto
- Alimentação e bebidas: -0,57%
- Habitação: -1,41%
- Artigos de residência: 0,04%
- Vestuário: -0,20%
- Transportes: -1%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,40%
- Despesas pessoais: 0,66%
- Educação: 0,46%
- Comunicação: -0,02%
