Um teste realizado pela Anistia Internacional identificou falhas na moderação de anúncios políticos da Meta, empresa responsável pelo Facebook, antes das eleições presidenciais de 2026 no Brasil. A organização simulou a publicação de 15 peças publicitárias e constatou que oito, enviadas do exterior, foram aprovadas mesmo contendo informações falsas sobre o processo eleitoral.
Outros sete anúncios foram retidos por problemas relacionados à identificação do anunciante, mas o sistema não apontou especificamente o caráter desinformativo das mensagens.
Segundo a Anistia, todos os anúncios foram programados para uma data futura e cancelados antes da publicação. Portanto, o experimento não resultou na circulação dos conteúdos entre usuários da rede social.
Anúncios com discurso autoritário foram aprovados
Entre os conteúdos testados, quatro apresentavam mensagens favoráveis à intervenção militar e à abstenção eleitoral. Três deles passaram pela moderação da plataforma.
Uma das peças defendia uma suposta revolução militar e afirmava que as Forças Armadas poderiam retomar o poder caso menos da metade dos eleitores participasse da votação. Para a organização, o resultado mostra dificuldades da plataforma para identificar conteúdos que atacam princípios democráticos.
O desempenho foi diferente na análise de outros tipos de desinformação. Anúncios que acusavam candidatos de crimes ou fraudes foram barrados com maior frequência durante o teste.
Organização aponta brechas nas regras
A investigação também identificou possíveis falhas nos mecanismos de transparência e no controle da publicidade política. Os pesquisadores conseguiram enviar os anúncios a partir de Londres sem declarar algumas categorias especiais de publicidade e sem informar os responsáveis pelos pagamentos.
Segundo a Anistia Internacional, as práticas contrariam exigências da legislação brasileira e regras da própria Meta para anúncios políticos.
A entidade afirma que essas brechas podem comprometer o direito dos eleitores a informações confiáveis durante o período eleitoral e defende o reforço dos mecanismos de prevenção e fiscalização das plataformas.
A organização também cobra investimentos em recursos humanos e tecnológicos para impedir a circulação de conteúdos que possam prejudicar o processo democrático.
Procurada pela Coluna Broadcast, do Estadão, a Meta não havia se manifestado sobre os resultados do experimento até a publicação das informações.
