O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro protagonizaram, nesta sexta-feira (23), o último debate presidencial antes do segundo turno das eleições. Realizado nos estúdios da TV Globo, no Rio de Janeiro, o encontro de mais de duas horas ocorreu em cenário de empate técnico nas pesquisas de intenção de voto, que apontam 50% para cada candidato.
Apesar de um formato mais rígido e restrito aos púlpitos, o confronto foi marcado por troca de ofensas pessoais, debates sobre economia e repercussão na imprensa internacional.
Repercussão na Imprensa Internacional
Veículos estrangeiros analisaram a dinâmica do embate e seus desdobramentos políticos:
Clarín (Argentina)
Destacou as menções ao cenário econômico e político da Argentina. Lula associou o adversário ao modelo de Javier Milei, citando o aumento da pobreza no país vizinho, enquanto Flávio atribuiu a crise a governos de esquerda e ao alinhamento com Cristina Kirchner.
O jornal argentino também registrou a provocação em que o senador usou o termo “nove dedos”, gerando pedido de resposta e reação de Lula, que o chamou de “miliciano” e cobrou desculpas aos trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho. Flávio retratou-se na sequência.
El País (Espanha)
O periódico espanhol apontou que Lula colocou o oponente na defensiva durante discussões sobre poder de compra, salário mínimo e programas sociais. O jornal ressaltou a estratégia de Flávio em acenar ao eleitorado feminino e defender a manutenção da agenda social.
Na área de segurança pública, o senador propôs a redução da maioridade penal para 14 anos e a classificação de facções como organizações terroristas, enquanto Lula relembrou posições do parlamentar em casos criminais no Estado do Rio de Janeiro.
Le Monde (França)
Focou no contraste de postura do senador em relação ao primeiro confronto televisivo. O veículo francês citou a tentativa de Flávio de adotar um tom moderado na abertura do debate ao criticar o custo de vida, mas observou que o episódio relativo à menção física ao presidente marcou de forma negativa a apresentação do candidato perante os analistas políticos.
Al Jazeera (Catar)
O Al Jazeera observou que, embora o tom geral tenha se mantido focado em propostas, a transmissão registrou momentos de atrito pessoal. O senador dirigiu-se ao presidente utilizando uma menção pejorativa referente à perda do dedo do mandatário em um acidente de trabalho da época em que atuava como metalúrgico. Após cobrança por retratação no ar, Flávio pediu desculpas pelo comentário.
Em contrapartida, Lula abordou as investigações que apuram a ligação do senador com grupos paramilitares no Estado do Rio de Janeiro. O candidato do PL afirmou que, caso eleito, classificará essas organizações como grupos “narcoterroristas”.
O tema da segurança pública voltou ao centro do debate durante um questionamento envolvendo a defesa jurídica exercida por Flávio em favor de um policial militar acusado de envolvimento na morte de uma criança de 5 anos em 2021. O parlamentar declarou manter a convicção na inocência do agente.
A votação decisiva ocorre neste domingo (25). No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos válidos, ante 45% alcançados por Lula.
