Vasco: Assembleia Geral aprova venda de 90% da SAF para a Almirante, de Lamacchia

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A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) do Vasco aprovou, nesta sexta-feira (23), a venda de 90% das ações da SAF cruz-maltina para a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa controlada por Marcos Lamacchia.

A votação ocorreu em duas partes. Na primeira, foi avaliada a mudança de estatuto para a diminuição de 20% para 10% da manutenção das ações do clube associativo na SAF. Na segunda, foi a votação pela proposta do grupo de Lamacchia.

Clube e empresa entram agora em compasso de espera pela decisão da Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol). A agência avalia mudanças societárias nas SAFs do Brasil. No caso do Vasco, ainda investiga um possível conflito de interesses na negociação, uma vez que Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Além disso, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) também instaurou um procedimento administrativo, que tramita em sigilo, para apurar a negociação. A autarquia investiga uma possível alteração de controle sem análise prévia, além de indícios de que o grupo do empresário já teria interferido na SAF antes da autorização.

Em caso de sinal verde das agências, restarão apenas os ritos processuais relacionados à arrematação e aos ativos a serem transferidos da antiga para a nova SAF.

— Ainda temos processos com órgãos fiscalizadores, mas a gente está prestando todas as informações.Não é um processo de vedação, é um processo de transparência, esclarecimento, dúvidas, informações, contratos. E tudo o que está sendo solicitado, a gente está apresentando. A gente tem certeza que vai passar, todo mundo está entendendo. Eu vejo um espírito colaborativo mesmo dos órgãos fiscalizadores — disse o presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano.

A sexta-feira chuvosa que acompanhou a Sede Náutica levou a uma votação em massa pelo meio digital. Poucas foram as pessoas que compareceram fisicamente ao local — que chegou a ficar alguns minutos com falta de luz — deixando o início do dia um tanto monótono. Até às 15h da tarde, somente 106 pessoas compareceram para votar.

Ainda assim, quem compareceu fez questão de comemorar os votos positivos em favor da venda da SAF.

— Momento histórico. Tem que comemorar — disse Fabio Espíndola, médico de 51 anos, que votou acompanhado dos filhos Beatriz Lopes, 15, e Pedro Espíndola, 11, que são estudantes.

Já no online, mais de 2,5 mil sócios já tinham votado com duas horas de Assembleia. Ao todo, são 7195 aptos.

Sejam os presentes ou de casa, chamou a atenção o fato de que os sócios não chegaram a receber o documento da negociação entre Almirante e Vasco. Votaram com base no conhecimento público sobre o assunto.

— A gente não tem como abrir o contrato para os sócios, porque o contrato tem muitas clausas de confidencialidade, tem muitos pontos comerciais estratégicos, números do Vasco que são muito importantes estrategicamente. Isso, indo para fora, pode prejudicar o Vasco em futuras negociações, no mercado em geral. Então, obviamente, a gente manteve resguardado — disse o presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano.

Mas ressaltou: — O sócio está bem instruído com isso (negociação) e hoje vai exercer o poder mais forte que ele tem, que é a sua palavra. A palavra do sócio é a palavra que manda — completou o dirigente.

Presidente da Assembleia Geral, Alan Belaciano — Foto: Divulgação

A operação foi estruturada por meio da alienação judicial da chamada UPI Equity, mecanismo previsto no plano de recuperação judicial apresentado pelo Vasco à Justiça para viabilizar a transferência do controle acionário da Nova SAF. A Almirante havia vencido o processo competitivo em setembro, após apresentar a proposta vinculante de aquisição.

O negócio prevê aportes financeiros destinados ao futebol e outras obrigações assumidas pela compradora, conforme as condições estabelecidas no processo judicial. Com a aprovação dos sócios, a operação avança para as etapas finais de formalização e implementação, observados os procedimentos jurídicos aplicáveis. A operação gira em torno de R$ 4 bilhões, entre valores a serem pagos ao clube pela venda e injeção de recursos necessários para a atividade do clube.

Principais pontos da proposta

  • R$ 500 milhões especificamente para o futebol (descontados R$ 80 milhões de empréstimo DIP)
  • R$ 120 milhões para centros de treinamento, com prazo máximo de dez anos para conclusão
  • R$ 30 milhões para as categorias de base, ao longo de dois anos
  • Compromisso com o pagamento das dívidas já acordadas e outras obtidas durante acordo
  • Manter caixa equilibrado por por cinco anos
  • Garantias financeiras de R$ 324 milhões



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/esporte/vasco/noticia/2026/10/vasco-assembleia-geral-aprova-venda-de-90percent-da-saf-para-a-almirante-de-lamacchia.ghtml

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