Haddad volta a refutar versão da polícia sobre abordagem e diz que viatura ficou 20 minutos no hotel

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Tarcísio e Haddad em campanha em São Paulo — Foto: Edilson Dantas


O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) voltou a refutar, nesta segunda-feira (31), a versão da Polícia Civil de que não houve abordagens ao motorista Alessandro Caseri. Em coletiva de imprensa, o petista apresentou uma perícia, feita a pedido da campanha, que conclui que teria havido uma abordagem ao profissional nas proximidades do hotel Pullman, na Vila Mariana, Zona Sul da capital. A perícia foi apresentada à delegacia que investiga o caso, o 96ºDP, do Brooklin.

A Secretaria de Segurança Pública afirmou, após Haddad trazer à tona a notícia de possível intimidação ao seu motorista pela primeira vez, há duas semanas, que as diligências não identificaram indícios de abordagem ou de procedimento irregular por parte dos policiais.

Nesta segunda, porém, Haddad afirmou que uma viatura teria permanecido por 20 minutos em frente ao hotel, enquanto seu motorista também estava estacionado ali. A perícia feita pela campanha do candidato não tem imagens diretas desse momento, mas reuniu outros vídeos que provariam que, devido a um lapso de tempo na circulação do veículo, ele estaria parada ali.

Haddad também reclamou que Caseri foi convocado para prestar depoimento “tardiamente”, mas que tanto o testemunho do motorista quanto as imagens “corroboram a narrativa inicial” e que “fica claro que a notícia dada de que a viatura não parou na frente do hotel está completamente desmentida”.

Outro ponto apontado pelo candidato foi que, apesar da Procuradoria Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF) ter arquivado a representação eleitoral no último dia 27, por não ver indícios de irregularidades nesta seara, o mesmo documento apontou que é “inverossímil” a tese de “mera coincidência no patrulhamento ordinário”.

“Mostra-se inverossímil que, em um interregno de apenas 44 minutos e em um raio geográfico estreito, duas guarnições distintas do Programa de Força Tática tenham estabelecido sucessivos contatos visuais e abordagens atípicas com os mesmos representantes e com o mesmo veículo Ford Fusion. O caráter excepcional desse duplo engajamento tático, em tão curto espaço de tempo e com guarnições que não realizam radiopatrulha comum de 190, fragiliza sobremaneira a tese de regularidade e casualidade administrativa levantada pela corporação”, escreveu o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt no documento.

Imagem analisada pela perícia mostra policial próximo a local onde motorista de Haddad estava estacionado em frente a hotel na Vila Mariana — Foto: Reprodução

Haddad disse que, desde o começo do episódio “não acusou ninguém” e que só pretendia ter “o esclarecimento do que aconteceu e eventualmente uma correção de procedimento, se fosse o caso”.

— Mas estou falando de um episódio que o procurador eleitoral disse ser inverossímil a narrativa oficial. As 50 câmeras que foram vistas pelo governador, pelo visto não eram as câmeras que importavam, porque o que importa, que está no inquérito, demonstra de maneira taxativa que não foi isso que aconteceu. A viatura parou e ficou 20 minutos estacionada lá — disse.

O GLOBO procurou a Secretaria de Segurança Pública e aguarda um posicionamento.

O advogado Thiago Rocha, que representa Haddad e o motorista neste caso, explicou que uma primeira viatura passou pelo carro, um Ford Fusion, quando o candidato ainda estava no veículo, na rua de sua residência. O ex-ministro da Fazenda desembarcou e, a partir disso, o motorista segue viagem com o carro. Depois, uma segunda viatura teria abordado Alessandro na frente do Hotel Pullman.

— São três viaturas, uma encontra o candidato quando ele está chegando em casa. Uma segunda, que aparentemente também encontra na (Avenida) 23 de maio, porque a gente não conseguiu imagens desse encontro, que, segundo o Alessandro, emparelha com ele ali na 23 de Maio. E mais duas viaturas na frente do hotel. A primeira, que passa cerca de 20 minutos depois que o Alessandro chega, estaciona um carro à frente dele. E aí, segundo o relato do próprio Alessandro, três policiais descem dessa segunda viatura, param na porta traseira e dizem, vaza. E aí, a partir desse momento, ele sai — disse o advogado.

Quando o episódio veio à tona, o secretário de Segurança Pública, Delegado Osvaldo Nico, começou a conversar com a defesa de Haddad por mensagem e por telefone pessoalmente para lidar com o caso. Indagado pelo GLOBO se esse contato seguia ocorrendo, o candidato disse que não.

— Na verdade, depois que o Alessandro, por mensagem, disse a ele que a câmera que demonstraria a narrativa dele não era a câmera que tinha sido divulgada pela Polícia Civil, ele parou de se comunicar. E foi aí que nós peticionamos o pedido para que outras imagens fossem coletadas. Eles coletaram imagens de 70 outras câmeras, que nós não sabemos quais são, mas aquelas que esclareceram o caso, foi uma petição nossa para o delegado que presid o inquérito — explicou Haddad.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/08/31/haddad-volta-a-refutar-versao-da-policia-sobre-abordagem-e-diz-que-viatura-ficou-20-minutos-no-hotel.ghtml

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