O senador Flávio Bolsonaro (PL) entrou na Argentina na noite de terça-feira (27) utilizando um passaporte italiano, segundo informações do Ministério da Segurança argentino. O registro migratório aponta que ele deixou Puerto Iguazú às 23h52, antes de seguir para os Estados Unidos. A mulher e as duas filhas viajaram com passaportes brasileiros.
A travessia ocorreu pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, à cidade argentina de Puerto Iguazú. De acordo com investigadores, Flávio permaneceu no Brasil durante o dia e atravessou a fronteira à noite. Ele não passou por um posto de controle brasileiro, procedimento que, segundo as informações divulgadas, não costuma ser registrado naquela região de intenso fluxo turístico.
Os passaportes brasileiros e diplomáticos do senador haviam sido cancelados por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na manhã de segunda-feira (26). A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou “risco concreto” de fuga após a derrota de Flávio na eleição presidencial de domingo (25), vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na manhã de terça-feira (27), o senador não entregou os documentos no prazo estabelecido por Moraes. A Polícia Federal investiga Flávio por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets.
Após entrar na Argentina, Flávio e os familiares seguiram para o Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú, na província de Misiones. De lá, embarcaram em um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina de fretamento Baires Fly S.A.
A aeronave seguiu para o aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, nos Estados Unidos. O senador desembarcou às 10h24 desta quarta-feira (28).
Ainda na terça-feira, o governo do presidente Donald Trump havia informado que concederia vistos de entrada ao senador e a seus familiares.
Questionado sobre a autorização, Trump afirmou que permitiria a entrada dos integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos por considerá-los “pessoas decentes”. O presidente norte-americano também classificou a eleição brasileira de domingo como “terrível”.
