Um sargento da Polícia Militar e um assessor parlamentar da deputada federal Talíria Petrone (PSOL) estão entre os presos nesta quarta-feira (28), durante uma operação da Polícia Civil contra uma organização criminosa suspeita de exploração sexual de adolescentes e produção de vídeos de violência sexual. A ação ocorreu em Niterói, São Gonçalo e Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Entre os detidos estão o terceiro-sargento Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos, e Carlos Alberto Lucio Bittencourt Filho, de 45 anos, assessor da deputada federal. Ambos foram alvos da operação denominada NXIVM, que tinha como objetivo cumprir 10 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.
Ao todo, oito mandados de prisão foram cumpridos, incluindo um contra um investigado que já estava preso.
As investigações começaram em julho, após a prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, ex-assessor do vereador de Niterói Professor Túlio (PSOL), acusado de estuprar uma adolescente de 16 anos em Icaraí. A análise de materiais apreendidos na residência do suspeito permitiu identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
Segundo a Polícia Civil, os investigados registravam vídeos de violência sexual, estupros coletivos e torturas. As imagens eram utilizadas para ameaçar e chantagear as vítimas, que eram obrigadas a retornar aos encontros por medo da divulgação do material.
De acordo com o delegado Antônio Silvino, os suspeitos se autodenominavam “senhores” e tratavam as adolescentes como “escravas”, em um esquema classificado pela investigação como escravidão sexual.
“Filmaram essas relações sexuais com ela e, a partir daí, começaram a ameaçá-la, chantageá-la. ‘Se você não voltar, nós vamos mostrar pro teu pai, pra tua mãe, colocar na rede social’. E cada vez que ela voltava, o grau aumentava, cada vez mais violência”, relatou o delegado.
Além dos citados, também foram presos Miguel Ribeiro Magni, de 20 anos, João Lucas Figueiredo Perrenoud, João Pedro Alecrim Soares, Natã Marques Pereira e Carlos Otávio de Oliveira Soares da Silva.
Os investigados podem responder por crimes como estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescentes, associação criminosa e tortura.
A Polícia Civil continua analisando celulares, computadores e outros equipamentos apreendidos para identificar possíveis novas vítimas e outros integrantes da rede criminosa. A participação de outros policiais militares também está sendo investigada.
Posicionamento dos envolvidos
Em nota, a Polícia Militar informou que acompanha os desdobramentos da investigação para avaliar as medidas administrativas e disciplinares cabíveis contra o sargento preso. A corporação destacou que não tolera desvios de conduta ou práticas criminosas por seus integrantes.
A equipe da deputada federal Talíria Petrone informou que não se manifestaria sobre o caso naquele momento.
Já o vereador Professor Túlio afirmou que exonerou Matheus Gonçalves em julho, assim que tomou conhecimento da prisão. O parlamentar manifestou solidariedade às vítimas e defendeu a investigação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.
O PSOL e a Câmara Municipal de Niterói também foram procurados pela reportagem que divulgou o caso, mas não haviam apresentado posicionamento.
*Com informações do G1
